Por Daniel Menin e Leda Zogbi
Entre os dias 24 de Junho e 17 de Julho aconteceu a terceira expedição do projeto Luzes na Escuridão. O projeto consiste em realizar expedições fotográficas pelo Brasil com espeleo fotógrafos brasileiros e alguns dos mais consagrados nomes da fotografia de cavernas do mundo. A finalidade é captar imagens para a publicação de livros, promovendo assim a sensibilização do público brasileiro e internacional sobre a necessidade de conservar o patrimônio espeleológico brasileiro.
Foram milhares de quilômetros percorridos, que resultaram na publicação de dois livros. O primeiro retratou cavernas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia. O segundo se dedicou às cavernas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os dois livros publicados podem ser adquiridos pelo site do projeto.
A região escolhida para a terceira expedição foi nada menos do que a Amazônia brasileira. Durante 21 dias, cerca de 30 pessoas, entre os quais 3 fotógrafos brasileiros e 5 estrangeiros (dos Estados Unidos, França, Suíça, Espanha e Hungria), percorreram diferentes áreas cársticas dos Estados do Amazonas e do Pará, viajando de avião, carro, barco e trem, para acessar e fotografar as cavernas na região.
Dentro da exuberante floresta amazônica estão cavernas riquíssimas em potencial científico, histórico e cultural. Elas se desenvolveram diferentes litologias, como o arenito, calcário e rochas ferruginosas, e embora ainda sejam desconhecidas pela grande maioria dos brasileiros, já eram frequentadas por humanos antes mesmo da chegada dos portugueses no Brasil. Repletas de pinturas e gravuras rupestres, as cavernas amazônicas guardam parte da história ainda pouco conhecida sobre a ocupação humana na região.
Além das cavernas, também foi registrada a maior paleotoca brasileira descoberta até o presente, com mais de 1,5 km de galerias. Os condutos subterrâneos em Canaã dos Carajás foram escavados por um tatu gigante, espécie da megafauna que habitou a região no Pleistoceno (de 2,8 milhões de anos a 11,7 mil anos atrás).
Agora, o acervo fotográfico conta com mais de 4.000 imagens inéditas que estão sendo escolhidas para a publicação do terceiro livro do projeto, que deve ser lançado no primeiro semestre de 2024.
Seguem abaixo algumas imagens e repercussões do projeto na mídia.
Para maiores informações, bem como para adquirir livros visite o site neste link.
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Muitas entradas se misturam com a mata em um conjunto entre portais escondidos para uma Amazônia ainda desconhecida. |
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Boa parte das províncias espeleológicas visitadas representam cavernas formadas em arenito. As características dessa rocha possibilitam um conjunto de formas e cores diferentes das tradicionais cavernas de rochas carbonáticas como o calcário. |
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As lentes dos fotógrafos tentou captar essas formas e cores dando ênfase a um mosaico subterrâneo construído pela natureza. |
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Faunas exuberantes com diferentes espécies de morcego e todo o ecossistema associado também pôde ser fotografado. |
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O amblipígio é um dos predadores que frequentam o meio subterrâneo. Muitas cavernas apresentaram populações bastante ativas, como este registrado na fotografia acima. |
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As fotos não se limitaram ao meio subterrâneo, mas também ao contexto onde as cavernas se inserem. Vales, cânions, serras, mata, rios e cachoeiras foram fotografados e também estarão no livro. |
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As regiões de Rurópolis e de Presidente Figueiredo, além das cavernas, também são ricas em rios e cachoeiras. |
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Portais de rocha conectam a mata amazônica e a água ao seu mundo subterrâneo ainda pouco conhecido. |
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Reentrâncias e galerias ainda em fase de exploração e mapeamento e que serão reveladas pelo terceiro volume da coleção Luzes na Escuridão. |
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Pinturas e gravuras rupestres são abundantes nas cavernas amazônicas.De imagens coloridas às mãos impressas a centenas de metros dentro da terra. O livro revelará um patrimônio arqueológico ainda pouco conhecido. |
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Rochas carbonáticas também estão presentes com registros das partes mais importantes da maior caverna da Amazônia: a Caverna Paraíso, com seus 7km de galerias subterrâneas já mapeadas. |
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Uma das “cavernas” fotografadas foi a paleotoca (passagens construídas por megafauna) localizada na Serra dos Carajás, no Pará. Trata-se da maior paleotoca do Brasil, com mais de 1, 5km de galerias por onde caminhavam tatus gigantes até 11 mil anos atrás. Hoje, o ambiente é ocupado por grande colônias de morcegos, além de outros pequenos animais como colônias de vagalumes que iluminam o interior das escuras galerias. Além dos registros fotográficos, a paleotoca também foi filmada e estará presente em vídeos de making off sobre a expedição. |
Povos ribeirinhos e indígenas, com o contexto em que vivem, também foram registrados.
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Por fim, fica mais uma imagem do país em que vivemos. Ao mesmo tempo gigante, forte e diverso, mas também frágil e carente de ser revelado e cuidado. |

As imagens aqui presentes estão em baixa resolução para divulgação.
Qualquer uso ou reprodução, além deste veículo, deverá ser autorizada pelo autor e pelo projeto
Luzes na Escuridão.