"E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que me fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Andes peruanos

Pelos desertos parece o Iraque, mas não é.
Pelas montanhas parece a Europa, mas não é.
Pelas selvas, parece a Mata Atlântica em pleno PETAR, mas não é.
Pelo sofrimento das trilhas parece Bulhas D'água!!!!
Mas também não é Bulhas...

É sim o Peru, em uma expedição espeleológica na Cordilheira dos Andes.

Caverna fria, com vários desníveis, entrada vertical, húmida, cheia de bichos, lama e guano. Daquelas chatinhas mesmo de explorar.
Mas os condutos e salões fósseis continuavam e ainda tinha um caudaloso rio subterrâneo para encontrar...

Foi uma viagem corrida, com muito tempo de estrada e não tanto tempo de caverna.
Fico devendo mais fotos, quem sabe, das próximas expedições que virão.


 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Conexão Subterrânea N.87

Acabou de ser publicado o Conexão Subterrânea N.87.
O Informativo Digital da Redespeleo Brasil.
Não estranhe a foto da capa com uma ressurgência de caverna de água verde, é isto mesmo, trata-se do 1o Curso Internacional de Traçadores em Sistemas Carsticos. Neste Conexão você tem uma matéria de como foi este curso.
Para baixar o arquivo entre no site da Redespeleo ou cadastre seu e-mail no mailling do Conexão.

Boa leitura!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Novas cavernas são encontradas em Bulhas D'água









Marcos Silverio
fotos Daniel Menin e Alexandre Camargo (Iscoti)

Após seis anos de atividades constantes a região de Bulhas D'água continua nos brindando com muitas descobertas, diversão e certa dose de sofrimento. Mas como a memória espeleológica trata de registrar somente o que nos interessa, pelo menos a cada mês retornamos entusiasmados para muita caminhada, lama, bichos e, quem sabe, um encontro com a onça que teima em nos seguir nas trilhas.

Nos dias 18 e 19 de fevereiro último uma equipe do Grupo Bambuí formada por Bedu, Carolina Anson, César Augusto, Daniel Menin, Fabio von Tein Iscoti e Marcos Silverio, os escaladores Rodrigo e Beto de São Calor e o Prof. Sérgio Bueno da USP e sua filha estiveram na região de Bulhas d'Água para mais uma investida de prospecção e mapeamento na área.

O objetivo no primeiro dia era verificar uma provável continuação no trecho final da Gruta do Lago Subterrâneo, realizar o mapeamento desta caverna e coletar exemplares de Aegla avistados no lago. Parte da equipe ficou responsável pelo mapeamento da caverna, outra pela escalada na parede junto ao lago enquanto a última acompanhou o Prof. Bueno na coleta das Aeglas.

A caverna localiza-se no fundo de uma dolina e apresenta uma entrada apertada com desnível de aproximadamente 5m entre blocos. O pequeno curso d'água do início logo encontra um afluente, surgido de um conduto baixo, e segue por um trecho encachoeirado e muito estreito até o lago subterrâneo. Acima deste conduto há uma galeria que acessa o lago através de uma fenda com cerca de 10m de desnível, nosso caminho. Este lago, com trechos profundos e cerca 30m de comprimento, preenche toda a largura da galeria de 4m. Neste local há possibilidades de continuação através da escalada das paredes laterais. O escalador Rodrigo (Amarelo) subiu uma das paredes mas sem encontrar continuação, restando ainda uma pequena possibilidade mais à frente na galeria do lago.

No retorno a subida pela fenda, após um dia de atividade, foi um desafio para os menos familiarizados com cordas e blocantes. E, como estamos em Bulhas, tudo ainda podia ficar mais divertido. Na saída trovões chacoalhavam as paredes da caverna e a pequena entrada começava a jorrar água e lama enquanto nos espremíamos para fora na chuva. A trilha parecia mais íngreme e escorregadia e a corda foi útil para, literalmente, puxar o pessoal para cima. 

De noite, debaixo de uma garoa fina, fomos de trator até a casa de pesquisa de Bulhas para nos preparar para as atividades do dia seguinte. O objetivo era mapear uma gruta e verificar a continuação de um abismo encontrados durante a expedição de janeiro e escalar um paredão próximo ao Rio Pilões. Novamente nos dividimos em equipes, agora sem o Prof. Bueno e sua filha, que retornaram para São Paulo. Parte da turma foi escalar o paredão e o restante foi mapear a gruta. 

A primeira investida neste paredão foi realizada em janeiro de 2006 mas interrompida por ameaça de maribondos e falta de equipamento. Em janeiro de 2011 uma equipe tentou novamente a subida mas não conseguiu atingir a suposta entrada avistada. Desta vez os escaladores Neto e Rodrigo munidos de furadeira, costuras etc, alcançaram a entrada, que se tratava apenas de uma reentrância na rocha. Merece destaque o preparo e motivação dos dois para escalar as paredes podres e enlameadas e para encarar o terrível macarrão preparado por nós. Se a memória colaborar esperamos contar com eles em outras atividades…

A equipe de topografia deveria mapear uma caverna próxima à Gruta Capinzal. Porém um pequeno vale ao lado da trilha chamou nossa atenção e   nos obrigou a um desvio. Logo encontramos um pequeno abismo, sem continuação e mais à frente um ralo que recebe grande quantidade de água nas chuvas. Um pouco de procura nos afloramentos próximos e logo encontramos um espaço entre blocos que denunciava um grande abismo. O Daniel, que já vinha equipado do outro abismo, logo se espremeu pela passagem e chegou ao final da corda, sem atingir o fundo, a cerca de 25m de profundidade. Devido à sua localização e morfologia o abismo tem grande potencial para descoberta de fósseis.

Como já estávamos com o tempo curto para cumprir nosso objetivo resolvemos seguir por este vale até o abismo descoberto em janeiro e checar seu potencial. Na verdade trata-se de um lance vertical de 5m que atinge uma rede de condutos estreitos e baixos com possibilidade de ligação com outras cavernas próximas. Seguimos depois até a gruta que deveríamos topografar para checar a possibilidade de continuação após um lago azul encontrado em janeiro.

Na água gelada, sem macacão e botas, verifiquei que há uma possibilidade de continuação em uma das laterais mas nesta época está totalmente sifonada. Esta caverna é interessante pois há possibilidade de atingir a galeria de uma outra caverna próxima, que hoje encontra-se bloqueada por um desmoronamento. Uma ligação entre elas após o desmoronamento levaria a gruta a mais de 1km de desenvolvimento.

Como não exploramos sem mapear sempre deixamos dúvidas e possibilidades para as próximas saídas. Então quem sabe o que ainda descobriremos por lá, com certeza a curiosidade é nosso maior motivador.



terça-feira, 15 de março de 2011

Roraima - Março de 2011

E lá fomos nós, de novo, aos Tepuys da Venezuela.
Devido ao mal tempo, acabamos deixando as cavernas para segundo plano. Queríamos ao menos fotografar e prospectar algo, mas decidimos fazer o trivial nos restringindo à superfície. De qualquer maneira, a viagem aos Tepuys sempre vale muito a pena. O sofrimento é garantido, mas também muito recompensado pelas espectaculares paisagens do local.
Desta vez a arrumação das mochilas foi quase perfeita e acho que cheguei à uma lista ótima na relação material x peso.

Compartilho abaixo para as próximas idas. Cabe lembrar que a lista não inclui material de espeleo e é ideal para uma viagem de 7 dias:

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Relembrando sobre o Abismo Los Tês Amigos

Semana passada eu estava preparando o próximo numero da revista O Carste, do grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas. Entre outras matérias, este exemplar publica uma bela história do Alexandre Camargo (Iscoti) sobre a descoberta e os trabalhos de exploração do Abismo Los TRÊS amigos, no PETAR, em São Paulo.

Lembrei então de um relato que escrevi em meados de 2006, logo apos uma expedição nesta caverna. Resolvi então, compartilhar este relato aqui no Blog TerraSub para quem estiver interessado em ler um pouco sobre a aventura. Além de difundir a atividade, coloca mais pimenta e interesse nas publicações dos próximos números da revista. Como fui eu quem escrevi o texto original, tomei a liberdade de realizar uma revisão recente corrigindo pequenos erros e atualizando alguns dados.



De Daniel Menin – Setembro de 2006

“Escrevo abaixo, ainda me recuperando fisicamente da empreitada, um relato do que foi a expedição e do que encontramos debaixo da terra.

O Abismo Los Três Amigos (Brandi/Iscoti/Allan) foi encontrado há cerca de um ano (em 2006) e seu fundo foi atingido, com muito suor, na última expedição, em Maio. Trata-se um imenso salão, parcialmente topografado naquela ocasião e de um conduto ativo de rio à cerca de 200m de profundidade.

Os objetivos da investida deste final de semana era terminar a topografia deste grande salão e seguir com a topografia pelo conduto ativo do rio. Na ultima viagem foi verificado que este conduto ativo continuava nos dois sentidos, mas nada foi explorado.

Participaram da expedição um grupo de 11 espeleologos sendo 2
 do GPME (Eu e o Allan), 8 do Bambuí e 1 do EGRIC.

A atividade foi razoavelmente longa. Entramos na caverna à uma hora da tarde do Sábado e saímos lá pelas 7hs do Domingo. A caverna, até a base do grande salão, é toda vertical. Logo na entrada já utiliza-se corda pois trata-se de uma fenda aberta no solo da mata densa de Bulhas. Um primeiro lance nos leva até um salão de médio porte. O abismo segue através de uma sucessão de lances verticais de diversas profundidades e dificuldades. Alguns lances são em negativo e o espeleólogo fica somente na corda, outros são em paredes levemente positivas e pode-se auxiliar a descida com os pés. Em quase todos os lances temos bastante lama o que pode tornar a descida mais rápida do que o esperado e exige certo cuidado suplementar. Existem fracionamentos de todos os tipos e níveis possíveis. Em positivo, em negativo, em fenda estreita, etc.

A cerca de -80m acessa-se um platô à beira de um enorme vazio. Trata-se do grande salão. Ali temos o maior lance livre de corda da caverna. Uma tenebrosa descida de 45m totalmente negativa em uma das laterais de um imponente salão. Nossas lanternas, por mais potentes que sejam tinham dificuldade de iluminar as paredes a dezenas de metros adiante. O Ezio desceu primeiro e, pendulando um pouco, parou sobre um grande bloco de cerca de 10m da base do fim da corda. Desci em segundo, saí da corda, caminhei até uma parte mais plana na lateral mais próxima da corda e fiquei admirando a descida das outras pessoas. De cima do bloco o Ezio fazia a medição das laterais do salão com uma trena a laser levada por ele: “140m! gritou em uma das medidas”.
Estávamos em 3 equipes de topografia: 2 seguiriam para topografar os 2 sentidos do rio e uma ficaria topografando o grande salão.
O solo do salão é, na sua grande maioria, formado por grandes blocos abatidos. O rio, a dezenas de metros abaixo, é acessado com corda em mais lances verticais entre estes blocos. O Ezio ficou com uma equipe de 4 pessoas topografando o salão enquanto que as outras 2 equipes de 3 pessoas desceram para o rio. Em alguns pontos, do conduto do rio até o teto do salão foi medido uma distância de 100m verticais! Uma altura incrível para o interior de uma caverna ainda desconhecida no PETAR.
O Brandi e mais 2 pessoas seguiram topografando a jusante do rio. Eu, o Allan e o Rogério seguimos topografando a montante.
Já adianto que nenhuma das 2 equipes conseguiu terminar seu trabalho ou mesmo chegar à qualquer indício de final da caverna.

O rio segue serpenteando em um conduto ora de grandes galerias com o teto a cerca de 20m acima, ora em pequenos desmoronamentos facilmente vencidos. Topografamos centenas de metros de rio observando alguns pontos de escalada e algumas janelas que acessavam condutos superiores de grandes proporções.

Em um dado momento, estávamos em um dos desmoronamentos do conduto ativo da montante quando a equipe do Brandi apareceu para nos chamar a ajudá-los na topografia do outro lado da gruta. Entusiasmado, o Brandi contava que havia encontrado a equipe do Ezio, em gigantes galerias desmoronadas. Certamente precisariam de ajuda.
Como estávamos com nossa topo quase transpondo este desmoronamento resolvemos antes unir as equipes e seguir um pouco mais pela galeria do rio para depois, enfim, encontrarmos o Ezio nas galerias do outro lado da gruta.
Mais alguns metros de rio e resolvemos seguir por uma subida lateral para tentar acessar um conduto fóssil cerca de vinte metros acima. Nos deparamos com outro desmoronamento e mais acima monstruosas continuações. Galerias desmoronadas com cerca de 30m, 40, 50m de diâmetro e de altura! Um conduto que seguia para os dois lados nestas mesmas proporções! Resolvemos seguir topografando até atingirmos uma bifurcação, igualmente volumosa. Estávamos já bastante cansados e sem muita comida e carbureto, deixados na base do grande salão do abismo. Resolvemos parar a topografia e iniciar o processo da volta.

O combinado era que todas as equipes deveriam se encontrar na base do salão e às 2h da manhã iniciar a subida de corda para sair da caverna. A idéia era  estamos todos fora da caverna lá pelas 7h pois teríamos um trator nos esperando perto da trilha às 8hs e ninguém tinha a intenção de perder essa carona!
Deixamos, portanto, a bifurcação em aberto e voltamos para o salão. Encontramos a equipe do Ezio nos dizendo que também não conseguiram terminar a topo no lado deles. De ambos os sentidos de desenvolvimento da caverna temos a ampla gelaria do rio continuando e os gigantes condutos desmoronados acima.

Voltamos o tempo todo discutindo como seria a melhor logística de expedição para conseguir topografar toda a caverna. Seria bivacar algumas noites lá dentro? Seriam investidas mais ágeis com pequenos grupos divididos em horas diferentes? Quando seria a próxima viagem?

Uma coisa é certa: estávamos à frente de uma das maiores descobertas da espeleologia brasileira através de técnicas verticais. E nem ainda sabíamos as reais proporções desta descoberta... Estamos falando de galerias e salões gigantes, de volumes comparados à gruta Casa de Pedra e de longas galerias ativas como Areias ou Santana. Certamente uma caverna com muitos  kms de desenvolvimento.

A subida foi bastante penosa. O alívio de subir o maior lance do grande salão é logo abafado por mais 80m de uma série de subidas bem chatas. O excesso de lama nos equipamentos faz com que os blocantes não trabalhem direito simplesmente deslizando corda abaixo em alguns momentos. O cansaço, o frio, a espera da corda livre e a quantidade de fracionamentos acentuam a dificuldade de subida fazendo com que saíssemos da caverna completamente exaustos.
Saí por último e logo ao pisar fora da caverna fui agradavelmente surpreendido por uma caneca de café quentinho. Era um presente do Zé, morador local que sempre nos acompanha com entusiasmo e empenho mata adentro, além de nos ajudar bastante com seu trator. Ufa! Maravilha!

Parabéns a todos, mas principalmente ao Brandi ao Allan e ao Iscoti (Los três Amigos) que há tempos vêem insistindo e se  dedicando ao trabalho naquela área”.

O próximo número da revista O Carste (Volume 22 N.3) vem com uma matéria especial do Alexandre Camargo (Iscoti) sobre a descoberta e as explorações do Abismo Los 3 Amigos. Este relato aqui foi só para dar mais água na boca...
Se você ainda não assina O Carste entre em contato com o Brandi ou com o Fred Lott e peça sua assinatura (azuias@yahoo.com.br / fredlott@gmailcom).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Mapas de cavernas disponíveis na internet

Alguns dias após ter lançado seu site na internet, o grupo Meandros Espeleo Clube realizou mais uma inovação publicando na rede cerca de 40 mapas produzidos nestes dois anos de existência. São mapas de várias regiões do Brasil e que agora estão disponíveis a qualquer pessoa interessada. Os mapas foram disponibilizados em baixa definição e sua utilização deverá ser autorizada pelo grupo, mas é possível visualizar as cavernas e ter uma boa idéia da representatividade de cada uma delas. 
A medida mostra a posição colaborativa visando uma espeleologia aberta, transparente, onde todos os interessados podem ter acesso ao trabalho realizado. Ao divulgar abertamente seus mapas o grupo Meandros acredita que desta forma irá contribuir para a proteção das cavernas.
A Redespeleo Brasil conta com um acervo de cerca de 1.500 mapas de cavernas brasileiras. O acervo passou por um árduo trabalho de digitalização de mapas antigos, e posteriormente esse arquivo foi enriquecido com o envio de centenas de mapas digitais produzidos por grupos de todo o Brasil. A mapoteca digital pode ser consultada pelo site da Redespeleo Brasil, em www.redespeleo.org.br/mapoteca.asp, e havendo interesse por qualquer mapa, o responsável pela administração da mapoteca encaminha o contato do grupo proprietário do mapa, para que possa ser feita a consulta diretamente para o autor.
Uma importante contribuição de todos os espeleologos para o conhecimento do patrimônio subterrâneo e para o desenvolvimento das ciências relacionadas. 




Para visitar o site do meandros:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Expedição Janeiro 2011

Alguns momentos subterrâneos na Expedição para TBV e Barriguda 2011.
Tivemos direito a lago subterrâneo no fundo da TBV (nem tão no fundo assim...), a sessões de fotos junto às montanhas de guano e principalmente a muito divertimento.
Destaque também no evento de devolução de fotos para a população de Lage dos Negros!

Valeu pessoal! Feliz 2011 a todos!

Photos by Daniel Menin e Gustavo Vela
 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

IC - retrospectiva 2010 e atividades 2011

Mais um ano que se vai e temos o prazer de divulgar aqui um balanço das atividades do Instituto do Carste realizadas em 2010 bem como uma pré-agenda do que nos aguarda no ano de 2011.


Em 2010:


1. Finalizada dia 14 de Dezembro a participação do Instituto do Carste no Curso Internacional de Hidrogeologia Cárstica em Guilin, China. Como palestrante convidado (Augusto Auler) e participante (Tatiana Souza). A experiência foi única neste país fantástico com carste e cavernas de fato espetaculares. A experiência foi altamente positiva, abrindo o caminho para colaborações futuras.

2. Em fins de novembro realizamos mais uma expedição aos tepuis na fronteira Brasil/Venezuela/Guiana, a segunda do ano. Esta viagem, parte do Projeto Tepuis, levou ao mapemaneto da mais alta caverna no Brasil (a 2700 m de altitude) além de uma interessante e importante caverna na Guiana. A viagem foi realizada em conjunto com o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleologicas. Esta foi provavelmente a primeira vez que uma caverna no Brasil foi mapeada com o novo sistema "paperless" inteiramente via computador, através do equipamento "Disto X", sem necessidade de croquis e bússola e clinometros convenciais. Esta inovação foi possível graças à participação do Dr. Lukas Plan, do Museu de História Natural de Viena, Austria, que gentilmente trouxe o equipamento. Outras expedições já estão sendo planejadas, inclusive com a elaboração de um robusto programa científico, que abrirá caminho para dissertações de mestrado e pesquisas diversas.





3. No segundo semestre de 2010 tivemos a segunda etapa do convênio acordado entre o IC e o governo da Wallonia (Belgica), fruto de uma colaboração na área de hidrogeologia cárstica. O sócio colaborador Paulo Pessoa passou 2 semanas na Bélgica, em companhia do Dr. Philippe Meus, participando de atividades ligadas a traçadores no carste. O convênio prosseguirá no ano que vem, com o primeiro curso internacional de traçadores no Carste, em Belo Horizonte.
4. Paleoclimatologia de espeleotemas é uma área das mais ativas, com inúmeras viagens em várias partes do Brasil e do mundo. Francisco William Cruz Jr (Chico Bill) e Augusto Auler participam de um projeto em conjunto com o IRD (Institute de Recherche pour le Developpement), orgão francês de fomento de pesquisas no exterior. Em 2010 houve a oportunidade de participar de viagens a Bolivia, Peru e Marrocos. O carste e as novas oportunidades de pesquisa oriundas destas viagens são várias. Um detalhamento destas viagens será apresentado no boletim Fluxos.

5. Em 2010 também tivemos o Jornadas Carste com a presença de Kevin Downey no Brasil com palestras e cursos de fotografia subterrânea em São Paulo e Minas Gerais. Com o maior acervo fotográfico de cavernas do mundo Kevin é considerado um dos maiore fotografos de caverna da atualidade.


Para 2011:

As perspectivas para o próximo ano são as melhores possíveis. Ainda no primeiro semestre teremos duas atividades importantes:
1. Curso Internacional sobre Traçadores no Carste. A data será brevemente definida. A ser realizado em Belo Horizonte. Com a chancela da IAH (International Association of Hydrogeologists) o curso contará com palestrantes brasileiros e internacionais, além de atividades teóricas e práticas. 

2. Jornadas Carste 2011. Vinda ao Brasil para palestras e atividades de campo da Dra. Hazel Barton, professora da Northern Kentucky University, e especialista em microbiologia em cavernas. Hazel é também conhecida por sua participação em vários filmes espeleológicos, entre os quais o popular "Amazing Caves". Trata-se de uma área pouco explorada no Brasil, com várias possibilidades de pesquisa.



Aguardem maiores notícias no boletim Fluxos, assim como no nosso site: www.institutodocarste.org.br



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Brasil retrocede novamente e fragiliza a proteção de nossas cavernas.

Para toda a comunidade espeleológica e ambientalista do país


No momento em que muitos avanços foram conseguidos em alguns estados, incluindo a aprovação de planos de manejo em unidades de conservação de proteção integral. E no pouco que resta para assegurar a proteção do patrimônio espeleológico, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) pretende colocar mais uma "pá-de-cal" no tocante às Unidades de Conservação e o patrimônio espeleológico.
Dias 24 e 25 de Novembro (amanhã!), será dado o início das reuniões onde o CONAMA que tem como pauta o desfecho de uma resolução que trata do licenciamento ambiental e anuência dos órgãos gestores para empreendimentos que afetem as Unidades de Conservação ou suas Zonas de Amortecimento e mais especificamente do patrimônio espeleológico.
Se destaca o artigo 8o da nova resolução onde ficarão REVOGADAS diversas determinações que garantem proteção à cavernas e seu entorno e que identificam empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental nacional ou regional.

Na prática, revogar essas determinações anteriores significa novamente fragilizar todas as unidades de conservação do país, o patrimônio espeleológico, o papel dos Conselhos Consultivos (representados por comunidades, ONGs, Prefeituras, órgãos ambientais, etc) e facilitando, assim, a aprovação de empreendimentos potencialmente impactantes, em especial nas Zonas de Amortecimento criadas justamente para minimizar os impactos sobre as Unidades de Conservação.Esta notícia vem a se juntar com o famigerado decreto de relevância das cavernas e tantos outros atos que visam derrubar os pilares de nossa legislação ambiental (a exemplo da recente discussão sobre o código florestal) e surte efeito bastante negativo entre cientistas, espeleólogos e ambientalistas. Esta postagem é, entre outras atitudes desesperadas, uma tentativa de ao menos trazer à conhecimento de cidadãos comuns as mudanças que o Brasil vem sofrendo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Concurso de Fotografia "Retratos de Lajes"

Laje dos Negors, na Bahia é uma das cidades mais remotas e especiais do Brasil. Além de estar ao lado da Toca da Boa Vista, uma das maiores cavernas do mundo (110km) abriga uma população acolhedora que há mais de vinte anos compartilha das expedições do Grupo Bambuí e visitas de espeleologos de todo o mundo que se aventuram nas entranhas das cavernas da região.

Este ano, junto com a Expedição Toca da Boa Vista, o Grupo Bambuí esta organizando concurso fotográfico "Retratos de Lajes". Para participar não precisa ser fotografo profissional ou ter imagens sensacionais do lugar... o objetivo do concurso é justamente reunir o máximo de imagens da população local e devolver a eles em forma de uma exposição imagens deles mesmos.

Para participar basta entrar em contato com a comissão organizadora:
Luciana Alt: lualt1@gmail.com
Vitor Moura: vmoura@gmail.com
Fred Lott: fredlott@gmail.com

Vamos lá! Vamos participar e privilegiar o povo de Lajes!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

30 e 31 Outubro de 2010, A Exploração do Abismo da Raquel

Há cerca de um mês estivemos no PETAR e durante atividades de prospecção chegamos até a entrada de mais uma nova caverna. Era um abismo, com acesso totalmente vertical não possibilitando nenhuma aproximação mais segura sem o uso de equipamentos. Sua localização nos animava: este abismo estava há apenas alguns metros da Gruta da Marreca e bem alinhado com uma suposta continuidade da caverna. Confesso que o fato de não ter descido o abismo naquela ocasião por falta de equipamentos de vertical me causou muita ansiedade e falta de sono nas semanas que seguiram...
Finalmente, no feriado de finados, retornamos ao PETAR para desvendar o misterio deste abismo. Entre outras atividades da viagem o principal objetivo era mesmo descer o abismo e prepará-lo para uma expedição maior, caso a conexão com a continuação da Marreca se concretizasse.
A viagem foi marcada de última hora e a equipe estava formada por mim e pelo espeleólogo Fabio Christofoletti (Rato). 

Com equipe pequena e ágil equipamos o abismo e rapidamente chegamos ao fundo. Trata-se de uma entrada de medias proporções que dá acesso à um lance livre de 25 metros em um belo garrafão. Apesar do volume animador e da beleza da descida o abismo não apresentou passagens transponíveis que possibilitasse alguma conexão com a Marreca.

Uma continuação no fundo do abismo está completamente obstruída por argila e um conduto suspenso em meio à parede vertical deu acesso há dois belos salões, mas que também não apresentaram continuidade.
A atividade valeu a viagem pela tecnica de acesso ao conduto lateral na parede (pendulando) e também pela bela descida no garrafão. Por outro lado, não foi desta vez que encontramos novas entradas para os rios subterrâneos da região.
Segue então o mapa de mais um abismo do Lajeado e algumas fotos da empreitada.
Como nos foi requisitado por um morador local, fica o nome de Abismo da Raquel para esta caverna.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Lojinha...

Vendo escravo para automatizar disparo de flash em fotografias subterrâneas.
FIREFLY3 - Ultra Sensitive Remote Flashgun
Slave Unit for Digital Cameras



Novo, nunca usado
Preço de venda: R$ 275,00 + frete


Nota: para quem não sabe, este equipamento é acoplado em qquer flash independente (comum) e o faz disparar automaticamente quando se dispara algum outro flash (o da própria máquina, por exemplo). Um ótimo recurso para fotografia profissional ou amadora. Permite excelentes resultados mesmo para aqueles que não são experts em fotos subterrâneas.

Além do slave, tem tbém o manual de instruções, velcro de fixação e etc... tudo bonitinho como veio da fábrica... 
Interessados entrar em contato: danielmenin@gmail.com

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Você assina a revista O Carste?

Há 22 anos, o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas publica a revista O Carste. 
A publicação acontece três vezes ao ano (nos meses de abrilagosto e dezembro) e além do Brasil, O Carste também é distribuído em outros países da América do Sul, Norte e Europa. 

A anuidade custa somente R$ 30,00 (valor que pode variar para outros países)

O Carste reúne sempre um rico conteúdo técnico, científico, histórico ou mesmo bons relatos de expedições, explorações e aventuras subterrâneas.

Se você é amante das cavernas ou mesmo simpatizante de atividades como esta não pode deixar de ler O Carste.

Para assinar entre em contato com fredlott@gmail.com ou azuias@yahoo.com.br


maiores infos em: www.bambui.org.br

Quebra-cabeça

Mais uma peça para nosso Quebra-cabeça.
Aos poucos vamos juntando as partes e preenchendo a região com seus mapas subterrâneos...

(mapa de parte do Lajeado, PETAR e algumas de suas cavernas plotadas)