"E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que me fosse miraculoso"
Leonardo Da Vinci
sexta-feira, 25 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
Roraima - Março de 2011
E lá fomos nós, de novo, aos Tepuys da Venezuela.
Devido ao mal tempo, acabamos deixando as cavernas para segundo plano. Queríamos ao menos fotografar e prospectar algo, mas decidimos fazer o trivial nos restringindo à superfície. De qualquer maneira, a viagem aos Tepuys sempre vale muito a pena. O sofrimento é garantido, mas também muito recompensado pelas espectaculares paisagens do local.
Desta vez a arrumação das mochilas foi quase perfeita e acho que cheguei à uma lista ótima na relação material x peso.
Compartilho abaixo para as próximas idas. Cabe lembrar que a lista não inclui material de espeleo e é ideal para uma viagem de 7 dias:
Devido ao mal tempo, acabamos deixando as cavernas para segundo plano. Queríamos ao menos fotografar e prospectar algo, mas decidimos fazer o trivial nos restringindo à superfície. De qualquer maneira, a viagem aos Tepuys sempre vale muito a pena. O sofrimento é garantido, mas também muito recompensado pelas espectaculares paisagens do local.
Desta vez a arrumação das mochilas foi quase perfeita e acho que cheguei à uma lista ótima na relação material x peso.
Compartilho abaixo para as próximas idas. Cabe lembrar que a lista não inclui material de espeleo e é ideal para uma viagem de 7 dias:
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Relembrando sobre o Abismo Los Tês Amigos
Semana passada eu estava preparando o próximo numero da revista O Carste, do grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas. Entre outras matérias, este exemplar publica uma bela história do Alexandre Camargo (Iscoti) sobre a descoberta e os trabalhos de exploração do Abismo Los TRÊS amigos, no PETAR, em São Paulo.
Lembrei então de um relato que escrevi em meados de 2006, logo apos uma expedição nesta caverna. Resolvi então, compartilhar este relato aqui no Blog TerraSub para quem estiver interessado em ler um pouco sobre a aventura. Além de difundir a atividade, coloca mais pimenta e interesse nas publicações dos próximos números da revista. Como fui eu quem escrevi o texto original, tomei a liberdade de realizar uma revisão recente corrigindo pequenos erros e atualizando alguns dados.
De Daniel Menin – Setembro de 2006
“Escrevo abaixo, ainda me recuperando fisicamente da empreitada, um relato do que foi a expedição e do que encontramos debaixo da terra.
O Abismo Los Três Amigos (Brandi/Iscoti/Allan) foi encontrado há cerca de um ano (em 2006) e seu fundo foi atingido, com muito suor, na última expedição, em Maio. Trata-se um imenso salão, parcialmente topografado naquela ocasião e de um conduto ativo de rio à cerca de 200m de profundidade.
Os objetivos da investida deste final de semana era terminar a topografia deste grande salão e seguir com a topografia pelo conduto ativo do rio. Na ultima viagem foi verificado que este conduto ativo continuava nos dois sentidos, mas nada foi explorado.
Participaram da expedição um grupo de 11 espeleologos sendo 2
do GPME (Eu e o Allan), 8 do Bambuí e 1 do EGRIC.
A atividade foi razoavelmente longa. Entramos na caverna à uma hora da tarde do Sábado e saímos lá pelas 7hs do Domingo. A caverna, até a base do grande salão, é toda vertical. Logo na entrada já utiliza-se corda pois trata-se de uma fenda aberta no solo da mata densa de Bulhas. Um primeiro lance nos leva até um salão de médio porte. O abismo segue através de uma sucessão de lances verticais de diversas profundidades e dificuldades. Alguns lances são em negativo e o espeleólogo fica somente na corda, outros são em paredes levemente positivas e pode-se auxiliar a descida com os pés. Em quase todos os lances temos bastante lama o que pode tornar a descida mais rápida do que o esperado e exige certo cuidado suplementar. Existem fracionamentos de todos os tipos e níveis possíveis. Em positivo, em negativo, em fenda estreita, etc.
A cerca de -80m acessa-se um platô à beira de um enorme vazio. Trata-se do grande salão. Ali temos o maior lance livre de corda da caverna. Uma tenebrosa descida de 45m totalmente negativa em uma das laterais de um imponente salão. Nossas lanternas, por mais potentes que sejam tinham dificuldade de iluminar as paredes a dezenas de metros adiante. O Ezio desceu primeiro e, pendulando um pouco, parou sobre um grande bloco de cerca de 10m da base do fim da corda. Desci em segundo, saí da corda, caminhei até uma parte mais plana na lateral mais próxima da corda e fiquei admirando a descida das outras pessoas. De cima do bloco o Ezio fazia a medição das laterais do salão com uma trena a laser levada por ele: “140m! gritou em uma das medidas”.
Estávamos em 3 equipes de topografia: 2 seguiriam para topografar os 2 sentidos do rio e uma ficaria topografando o grande salão.
O solo do salão é, na sua grande maioria, formado por grandes blocos abatidos. O rio, a dezenas de metros abaixo, é acessado com corda em mais lances verticais entre estes blocos. O Ezio ficou com uma equipe de 4 pessoas topografando o salão enquanto que as outras 2 equipes de 3 pessoas desceram para o rio. Em alguns pontos, do conduto do rio até o teto do salão foi medido uma distância de 100m verticais! Uma altura incrível para o interior de uma caverna ainda desconhecida no PETAR.
O Brandi e mais 2 pessoas seguiram topografando a jusante do rio. Eu, o Allan e o Rogério seguimos topografando a montante.
Já adianto que nenhuma das 2 equipes conseguiu terminar seu trabalho ou mesmo chegar à qualquer indício de final da caverna.
O rio segue serpenteando em um conduto ora de grandes galerias com o teto a cerca de 20m acima, ora em pequenos desmoronamentos facilmente vencidos. Topografamos centenas de metros de rio observando alguns pontos de escalada e algumas janelas que acessavam condutos superiores de grandes proporções.
Em um dado momento, estávamos em um dos desmoronamentos do conduto ativo da montante quando a equipe do Brandi apareceu para nos chamar a ajudá-los na topografia do outro lado da gruta. Entusiasmado, o Brandi contava que havia encontrado a equipe do Ezio, em gigantes galerias desmoronadas. Certamente precisariam de ajuda.
Como estávamos com nossa topo quase transpondo este desmoronamento resolvemos antes unir as equipes e seguir um pouco mais pela galeria do rio para depois, enfim, encontrarmos o Ezio nas galerias do outro lado da gruta.
Mais alguns metros de rio e resolvemos seguir por uma subida lateral para tentar acessar um conduto fóssil cerca de vinte metros acima. Nos deparamos com outro desmoronamento e mais acima monstruosas continuações. Galerias desmoronadas com cerca de 30m, 40, 50m de diâmetro e de altura! Um conduto que seguia para os dois lados nestas mesmas proporções! Resolvemos seguir topografando até atingirmos uma bifurcação, igualmente volumosa. Estávamos já bastante cansados e sem muita comida e carbureto, deixados na base do grande salão do abismo. Resolvemos parar a topografia e iniciar o processo da volta.
O combinado era que todas as equipes deveriam se encontrar na base do salão e às 2h da manhã iniciar a subida de corda para sair da caverna. A idéia era estamos todos fora da caverna lá pelas 7h pois teríamos um trator nos esperando perto da trilha às 8hs e ninguém tinha a intenção de perder essa carona!
Deixamos, portanto, a bifurcação em aberto e voltamos para o salão. Encontramos a equipe do Ezio nos dizendo que também não conseguiram terminar a topo no lado deles. De ambos os sentidos de desenvolvimento da caverna temos a ampla gelaria do rio continuando e os gigantes condutos desmoronados acima.
Voltamos o tempo todo discutindo como seria a melhor logística de expedição para conseguir topografar toda a caverna. Seria bivacar algumas noites lá dentro? Seriam investidas mais ágeis com pequenos grupos divididos em horas diferentes? Quando seria a próxima viagem?
Uma coisa é certa: estávamos à frente de uma das maiores descobertas da espeleologia brasileira através de técnicas verticais. E nem ainda sabíamos as reais proporções desta descoberta... Estamos falando de galerias e salões gigantes, de volumes comparados à gruta Casa de Pedra e de longas galerias ativas como Areias ou Santana. Certamente uma caverna com muitos kms de desenvolvimento.
A subida foi bastante penosa. O alívio de subir o maior lance do grande salão é logo abafado por mais 80m de uma série de subidas bem chatas. O excesso de lama nos equipamentos faz com que os blocantes não trabalhem direito simplesmente deslizando corda abaixo em alguns momentos. O cansaço, o frio, a espera da corda livre e a quantidade de fracionamentos acentuam a dificuldade de subida fazendo com que saíssemos da caverna completamente exaustos.
Saí por último e logo ao pisar fora da caverna fui agradavelmente surpreendido por uma caneca de café quentinho. Era um presente do Zé, morador local que sempre nos acompanha com entusiasmo e empenho mata adentro, além de nos ajudar bastante com seu trator. Ufa! Maravilha!
Parabéns a todos, mas principalmente ao Brandi ao Allan e ao Iscoti (Los três Amigos) que há tempos vêem insistindo e se dedicando ao trabalho naquela área”.
O próximo número da revista O Carste (Volume 22 N.3) vem com uma matéria especial do Alexandre Camargo (Iscoti) sobre a descoberta e as explorações do Abismo Los 3 Amigos. Este relato aqui foi só para dar mais água na boca...
Se você ainda não assina O Carste entre em contato com o Brandi ou com o Fred Lott e peça sua assinatura (azuias@yahoo.com.br / fredlott@gmailcom).
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Mapas de cavernas disponíveis na internet
Alguns dias após ter lançado seu site na internet, o grupo Meandros Espeleo Clube realizou mais uma inovação publicando na rede cerca de 40 mapas produzidos nestes dois anos de existência. São mapas de várias regiões do Brasil e que agora estão disponíveis a qualquer pessoa interessada. Os mapas foram disponibilizados em baixa definição e sua utilização deverá ser autorizada pelo grupo, mas é possível visualizar as cavernas e ter uma boa idéia da representatividade de cada uma delas.
A medida mostra a posição colaborativa visando uma espeleologia aberta, transparente, onde todos os interessados podem ter acesso ao trabalho realizado. Ao divulgar abertamente seus mapas o grupo Meandros acredita que desta forma irá contribuir para a proteção das cavernas.A Redespeleo Brasil conta com um acervo de cerca de 1.500 mapas de cavernas brasileiras. O acervo passou por um árduo trabalho de digitalização de mapas antigos, e posteriormente esse arquivo foi enriquecido com o envio de centenas de mapas digitais produzidos por grupos de todo o Brasil. A mapoteca digital pode ser consultada pelo site da Redespeleo Brasil, em www.redespeleo.org.br/mapoteca.asp, e havendo interesse por qualquer mapa, o responsável pela administração da mapoteca encaminha o contato do grupo proprietário do mapa, para que possa ser feita a consulta diretamente para o autor.
Uma importante contribuição de todos os espeleologos para o conhecimento do patrimônio subterrâneo e para o desenvolvimento das ciências relacionadas.
Para visitar o site do meandros:
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Expedição Janeiro 2011
Alguns momentos subterrâneos na Expedição para TBV e Barriguda 2011.
Tivemos direito a lago subterrâneo no fundo da TBV (nem tão no fundo assim...), a sessões de fotos junto às montanhas de guano e principalmente a muito divertimento.
Destaque também no evento de devolução de fotos para a população de Lage dos Negros!
Tivemos direito a lago subterrâneo no fundo da TBV (nem tão no fundo assim...), a sessões de fotos junto às montanhas de guano e principalmente a muito divertimento.
Destaque também no evento de devolução de fotos para a população de Lage dos Negros!
Valeu pessoal! Feliz 2011 a todos!
Photos by Daniel Menin e Gustavo Vela
Photos by Daniel Menin e Gustavo Vela
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
IC - retrospectiva 2010 e atividades 2011
Mais um ano que se vai e temos o prazer de divulgar aqui um balanço das atividades do Instituto do Carste realizadas em 2010 bem como uma pré-agenda do que nos aguarda no ano de 2011.
Em 2010:
1. Finalizada dia 14 de Dezembro a participação do Instituto do Carste no Curso Internacional de Hidrogeologia Cárstica em Guilin, China. Como palestrante convidado (Augusto Auler) e participante (Tatiana Souza). A experiência foi única neste país fantástico com carste e cavernas de fato espetaculares. A experiência foi altamente positiva, abrindo o caminho para colaborações futuras.
2. Em fins de novembro realizamos mais uma expedição aos tepuis na fronteira Brasil/Venezuela/Guiana, a segunda do ano. Esta viagem, parte do Projeto Tepuis, levou ao mapemaneto da mais alta caverna no Brasil (a 2700 m de altitude) além de uma interessante e importante caverna na Guiana. A viagem foi realizada em conjunto com o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleologicas. Esta foi provavelmente a primeira vez que uma caverna no Brasil foi mapeada com o novo sistema "paperless" inteiramente via computador, através do equipamento "Disto X", sem necessidade de croquis e bússola e clinometros convenciais. Esta inovação foi possível graças à participação do Dr. Lukas Plan, do Museu de História Natural de Viena, Austria, que gentilmente trouxe o equipamento. Outras expedições já estão sendo planejadas, inclusive com a elaboração de um robusto programa científico, que abrirá caminho para dissertações de mestrado e pesquisas diversas.
3. No segundo semestre de 2010 tivemos a segunda etapa do convênio acordado entre o IC e o governo da Wallonia (Belgica), fruto de uma colaboração na área de hidrogeologia cárstica. O sócio colaborador Paulo Pessoa passou 2 semanas na Bélgica, em companhia do Dr. Philippe Meus, participando de atividades ligadas a traçadores no carste. O convênio prosseguirá no ano que vem, com o primeiro curso internacional de traçadores no Carste, em Belo Horizonte.
4. Paleoclimatologia de espeleotemas é uma área das mais ativas, com inúmeras viagens em várias partes do Brasil e do mundo. Francisco William Cruz Jr (Chico Bill) e Augusto Auler participam de um projeto em conjunto com o IRD (Institute de Recherche pour le Developpement), orgão francês de fomento de pesquisas no exterior. Em 2010 houve a oportunidade de participar de viagens a Bolivia, Peru e Marrocos. O carste e as novas oportunidades de pesquisa oriundas destas viagens são várias. Um detalhamento destas viagens será apresentado no boletim Fluxos.
5. Em 2010 também tivemos o Jornadas Carste com a presença de Kevin Downey no Brasil com palestras e cursos de fotografia subterrânea em São Paulo e Minas Gerais. Com o maior acervo fotográfico de cavernas do mundo Kevin é considerado um dos maiore fotografos de caverna da atualidade.
Para 2011:
As perspectivas para o próximo ano são as melhores possíveis. Ainda no primeiro semestre teremos duas atividades importantes:
1. Curso Internacional sobre Traçadores no Carste. A data será brevemente definida. A ser realizado em Belo Horizonte. Com a chancela da IAH (International Association of Hydrogeologists) o curso contará com palestrantes brasileiros e internacionais, além de atividades teóricas e práticas.
2. Jornadas Carste 2011. Vinda ao Brasil para palestras e atividades de campo da Dra. Hazel Barton, professora da Northern Kentucky University, e especialista em microbiologia em cavernas. Hazel é também conhecida por sua participação em vários filmes espeleológicos, entre os quais o popular "Amazing Caves". Trata-se de uma área pouco explorada no Brasil, com várias possibilidades de pesquisa.
Aguardem maiores notícias no boletim Fluxos, assim como no nosso site: www.institutodocarste.org.br
Marcadores:
China,
encontros e workshops,
Expedição,
França,
Informativos Digitais,
Instituto do Carste,
Outros assuntos,
publicações,
Trabalhos científicos
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O Brasil retrocede novamente e fragiliza a proteção de nossas cavernas.
Para toda a comunidade espeleológica e ambientalista do país
No momento em que muitos avanços foram conseguidos em alguns estados, incluindo a aprovação de planos de manejo em unidades de conservação de proteção integral. E no pouco que resta para assegurar a proteção do patrimônio espeleológico, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) pretende colocar mais uma "pá-de-cal" no tocante às Unidades de Conservação e o patrimônio espeleológico.
Dias 24 e 25 de Novembro (amanhã!), será dado o início das reuniões onde o CONAMA que tem como pauta o desfecho de uma resolução que trata do licenciamento ambiental e anuência dos órgãos gestores para empreendimentos que afetem as Unidades de Conservação ou suas Zonas de Amortecimento e mais especificamente do patrimônio espeleológico.
Se destaca o artigo 8o da nova resolução onde ficarão REVOGADAS diversas determinações que garantem proteção à cavernas e seu entorno e que identificam empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental nacional ou regional.
Na prática, revogar essas determinações anteriores significa novamente fragilizar todas as unidades de conservação do país, o patrimônio espeleológico, o papel dos Conselhos Consultivos (representados por comunidades, ONGs, Prefeituras, órgãos ambientais, etc) e facilitando, assim, a aprovação de empreendimentos potencialmente impactantes, em especial nas Zonas de Amortecimento criadas justamente para minimizar os impactos sobre as Unidades de Conservação.Esta notícia vem a se juntar com o famigerado decreto de relevância das cavernas e tantos outros atos que visam derrubar os pilares de nossa legislação ambiental (a exemplo da recente discussão sobre o código florestal) e surte efeito bastante negativo entre cientistas, espeleólogos e ambientalistas. Esta postagem é, entre outras atitudes desesperadas, uma tentativa de ao menos trazer à conhecimento de cidadãos comuns as mudanças que o Brasil vem sofrendo.
Dias 24 e 25 de Novembro (amanhã!), será dado o início das reuniões onde o CONAMA que tem como pauta o desfecho de uma resolução que trata do licenciamento ambiental e anuência dos órgãos gestores para empreendimentos que afetem as Unidades de Conservação ou suas Zonas de Amortecimento e mais especificamente do patrimônio espeleológico.
Se destaca o artigo 8o da nova resolução onde ficarão REVOGADAS diversas determinações que garantem proteção à cavernas e seu entorno e que identificam empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental nacional ou regional.
Na prática, revogar essas determinações anteriores significa novamente fragilizar todas as unidades de conservação do país, o patrimônio espeleológico, o papel dos Conselhos Consultivos (representados por comunidades, ONGs, Prefeituras, órgãos ambientais, etc) e facilitando, assim, a aprovação de empreendimentos potencialmente impactantes, em especial nas Zonas de Amortecimento criadas justamente para minimizar os impactos sobre as Unidades de Conservação.Esta notícia vem a se juntar com o famigerado decreto de relevância das cavernas e tantos outros atos que visam derrubar os pilares de nossa legislação ambiental (a exemplo da recente discussão sobre o código florestal) e surte efeito bastante negativo entre cientistas, espeleólogos e ambientalistas. Esta postagem é, entre outras atitudes desesperadas, uma tentativa de ao menos trazer à conhecimento de cidadãos comuns as mudanças que o Brasil vem sofrendo.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Concurso de Fotografia "Retratos de Lajes"
Laje dos Negors, na Bahia é uma das cidades mais remotas e especiais do Brasil. Além de estar ao lado da Toca da Boa Vista, uma das maiores cavernas do mundo (110km) abriga uma população acolhedora que há mais de vinte anos compartilha das expedições do Grupo Bambuí e visitas de espeleologos de todo o mundo que se aventuram nas entranhas das cavernas da região.
Este ano, junto com a Expedição Toca da Boa Vista, o Grupo Bambuí esta organizando concurso fotográfico "Retratos de Lajes". Para participar não precisa ser fotografo profissional ou ter imagens sensacionais do lugar... o objetivo do concurso é justamente reunir o máximo de imagens da população local e devolver a eles em forma de uma exposição imagens deles mesmos.
Para participar basta entrar em contato com a comissão organizadora:
Luciana Alt: lualt1@gmail.com
Vitor Moura: vmoura@gmail.com
Fred Lott: fredlott@gmail.com
Vamos lá! Vamos participar e privilegiar o povo de Lajes!
Este ano, junto com a Expedição Toca da Boa Vista, o Grupo Bambuí esta organizando concurso fotográfico "Retratos de Lajes". Para participar não precisa ser fotografo profissional ou ter imagens sensacionais do lugar... o objetivo do concurso é justamente reunir o máximo de imagens da população local e devolver a eles em forma de uma exposição imagens deles mesmos.
Para participar basta entrar em contato com a comissão organizadora:
Luciana Alt: lualt1@gmail.com
Vitor Moura: vmoura@gmail.com
Fred Lott: fredlott@gmail.com
Vamos lá! Vamos participar e privilegiar o povo de Lajes!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
30 e 31 Outubro de 2010, A Exploração do Abismo da Raquel
Há cerca de um mês estivemos no PETAR e durante atividades de prospecção chegamos até a entrada de mais uma nova caverna. Era um abismo, com acesso totalmente vertical não possibilitando nenhuma aproximação mais segura sem o uso de equipamentos. Sua localização nos animava: este abismo estava há apenas alguns metros da Gruta da Marreca e bem alinhado com uma suposta continuidade da caverna. Confesso que o fato de não ter descido o abismo naquela ocasião por falta de equipamentos de vertical me causou muita ansiedade e falta de sono nas semanas que seguiram...
Finalmente, no feriado de finados, retornamos ao PETAR para desvendar o misterio deste abismo. Entre outras atividades da viagem o principal objetivo era mesmo descer o abismo e prepará-lo para uma expedição maior, caso a conexão com a continuação da Marreca se concretizasse.
A viagem foi marcada de última hora e a equipe estava formada por mim e pelo espeleólogo Fabio Christofoletti (Rato).
Com equipe pequena e ágil equipamos o abismo e rapidamente chegamos ao fundo. Trata-se de uma entrada de medias proporções que dá acesso à um lance livre de 25 metros em um belo garrafão. Apesar do volume animador e da beleza da descida o abismo não apresentou passagens transponíveis que possibilitasse alguma conexão com a Marreca.
Uma continuação no fundo do abismo está completamente obstruída por argila e um conduto suspenso em meio à parede vertical deu acesso há dois belos salões, mas que também não apresentaram continuidade.
A atividade valeu a viagem pela tecnica de acesso ao conduto lateral na parede (pendulando) e também pela bela descida no garrafão. Por outro lado, não foi desta vez que encontramos novas entradas para os rios subterrâneos da região.
Segue então o mapa de mais um abismo do Lajeado e algumas fotos da empreitada.
Como nos foi requisitado por um morador local, fica o nome de Abismo da Raquel para esta caverna.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Lojinha...
Vendo escravo para automatizar disparo de flash em fotografias subterrâneas.
FIREFLY3 - Ultra Sensitive Remote Flashgun
Slave Unit for Digital Cameras
Novo, nunca usado
Preço de venda: R$ 275,00 + frete
Nota: para quem não sabe, este equipamento é acoplado em qquer flash independente (comum) e o faz disparar automaticamente quando se dispara algum outro flash (o da própria máquina, por exemplo). Um ótimo recurso para fotografia profissional ou amadora. Permite excelentes resultados mesmo para aqueles que não são experts em fotos subterrâneas.
Além do slave, tem tbém o manual de instruções, velcro de fixação e etc... tudo bonitinho como veio da fábrica... Interessados entrar em contato: danielmenin@gmail.com
FIREFLY3 - Ultra Sensitive Remote Flashgun
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Nota: para quem não sabe, este equipamento é acoplado em qquer flash independente (comum) e o faz disparar automaticamente quando se dispara algum outro flash (o da própria máquina, por exemplo). Um ótimo recurso para fotografia profissional ou amadora. Permite excelentes resultados mesmo para aqueles que não são experts em fotos subterrâneas.
Além do slave, tem tbém o manual de instruções, velcro de fixação e etc... tudo bonitinho como veio da fábrica... Interessados entrar em contato: danielmenin@gmail.com
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Você assina a revista O Carste?
Há 22 anos, o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas publica a revista O Carste.
A publicação acontece três vezes ao ano (nos meses de abril, agosto e dezembro) e além do Brasil, O Carste também é distribuído em outros países da América do Sul, Norte e Europa.
A anuidade custa somente R$ 30,00 (valor que pode variar para outros países)
O Carste reúne sempre um rico conteúdo técnico, científico, histórico ou mesmo bons relatos de expedições, explorações e aventuras subterrâneas.
Se você é amante das cavernas ou mesmo simpatizante de atividades como esta não pode deixar de ler O Carste.
Para assinar entre em contato com fredlott@gmail.com ou azuias@yahoo.com.br
maiores infos em: www.bambui.org.br
Quebra-cabeça
Mais uma peça para nosso Quebra-cabeça.
Aos poucos vamos juntando as partes e preenchendo a região com seus mapas subterrâneos...
(mapa de parte do Lajeado, PETAR e algumas de suas cavernas plotadas)
Marcadores:
Abismo da Marreca,
Abismo da Paçoca,
Cavernas no Lageado,
Gruta do Agenor,
mapas,
PETAR,
Projeto Paçoca e Arredores,
topografia
domingo, 19 de setembro de 2010
Repercussão... e o desenrolar.
Atualização 24 de Setembro de 2010: Obras paralisadas devido às denúncias.
A Denúncia publicada no Conexão Subterrânea N. 80 sobre as obras da rodovia BR135 começa a surtir efeito.
Se as obras ignoraram a recomendação dos espeleologos e do CECAV, a imprensa encarou o fato com maior seriedade e tem nos dado o apoio necessário.
O barulho gerou uma reportagem de meia capa do caderno de Ciência da Folha de São Paulo de hoje, 19 de Setembro de 2010 e provavelmente este não será o único alarde massivo que vamos gerar.
Parabéns ao Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas e a todos os espeleólogos envolvidos nesta contínua luta na preservação de nossa riqueza subterrânea.
A reportagem também pode ser lida em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/inde19092010.htm
Além do Conexão Subterrânea, a SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia) também apoiou a denúncia publicando o artigo em seu principal informativo.
Aguardamos investigação sobre o ocorrido e as decisões sobre os novos traçados recomendados para a estrada!
Se as obras ignoraram a recomendação dos espeleologos e do CECAV, a imprensa encarou o fato com maior seriedade e tem nos dado o apoio necessário.
O barulho gerou uma reportagem de meia capa do caderno de Ciência da Folha de São Paulo de hoje, 19 de Setembro de 2010 e provavelmente este não será o único alarde massivo que vamos gerar.
Parabéns ao Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas e a todos os espeleólogos envolvidos nesta contínua luta na preservação de nossa riqueza subterrânea.
A reportagem também pode ser lida em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/inde19092010.htm
Além do Conexão Subterrânea, a SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia) também apoiou a denúncia publicando o artigo em seu principal informativo.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Conexão Subterrânea N.81
Acaba de ser publicado mais um número do Conexão Subterrâena, Boletin Eletrônico da Redespeleo Brasil.
Atenção especial ao artigo-denúncia sobre obras da BR135 que avançam sobre o Carste de São Desidério, na Bahia. A estrada coloca em risco uma caverna de máxima relevância na região, onde está situado o maior lago subterrâneo do Brasil (vide capa do Conexão).
Se você não recebe o Conexão Subterrânea basta se cadastrar no site da rede (www.redespelo.org.br) ou entrar em contato consoco.
Atenção especial ao artigo-denúncia sobre obras da BR135 que avançam sobre o Carste de São Desidério, na Bahia. A estrada coloca em risco uma caverna de máxima relevância na região, onde está situado o maior lago subterrâneo do Brasil (vide capa do Conexão).
Se você não recebe o Conexão Subterrânea basta se cadastrar no site da rede (www.redespelo.org.br) ou entrar em contato consoco.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
O Quartzito e algumas de suas surpresas
Explorar e mapear cavernas em Quartzito é um desafio à parte. Por este tipo de rocha ser bastante friável, grutas em Quartzito assumem um desenvolvimento menos lógico do que as tradicionais cavernas em Calcário. Algumas vezes é bem possível que você fique jornadas inteiras deitado, rastejando e se ralando em caóticos labirintos tridimensionais subterrâneos sem conseguir terminar a topografia ou mesmo chegar ao final da gruta. Mas não se desespere! Cavernas em Quartzito podem ser tão belas e surpreendentes quanto suas primas em Calcário. Apesar de não apresentarem uma riqueza em formações geológicas tão diversificada (estalactities, estalagmities, inúmeras formações de calcita e outras precipitações comuns do calcário), as cavernas em Quartzito também apresentam suas belezas, fascínios e principalmente surpresas. Desta forma, ao explorar uma caverna em Quartzito você também poderá encontrar volumosos salões debaixo da terra ou ser surpreendido por novos rios, lagos, cachoeiras e abismos subterrâneos.
Abaixo seguem algumas imagens de um mapa que produzimos há alguns anos em expedições à Chapada Diamantina.
Esta gruta, em especial, nos presenteou com grandes descobertas e resultados. A primeira delas foi uma inusitada continuação. Onde antes era o “final da gruta” conhecida pelo guia, encontramos uma pequena passagem que nos rendeu mais de 3km de continuidade. A segunda surpresa foi a conexão desta, com outra caverna vizinha, justamente obra de condutos labirínticos.
Mas talvez a descoberta mais relevante tenha sido a riqueza histórica que a caverna escondia em seu interior. Em lugares longínquos debaixo da terra encontramos ferramentas antigas, condutos escavados e inscrições datadas do século XVII. Com certeza, obras de escravos que sacrificavam suas vidas por punhados de diamantes.
Enfim, apos cansativos dias de exploração e topografia chegamos a números bastante expressivos para uma caverna neste tipo de rocha: 200m de desnível sendo o maior desnível subterrâneo da Bahia e mais de 4km de galerias subterrâneas sendo uma das mais extensas cavernas de Quartzito do Brasil.
Nota: os trabalhos nesta gruta ainda não terminaram, portanto, outras expedições devem retornar à caverna para terminar os trabalhos em condutos que ainda continuam e somar mais dados ao mapa.
Nota: os trabalhos nesta gruta ainda não terminaram, portanto, outras expedições devem retornar à caverna para terminar os trabalhos em condutos que ainda continuam e somar mais dados ao mapa.
Esta é somente uma das muitas cavernas que mapeamos neste tipo de rocha no Brasil. Outras grutas ainda estão em fase de trabalho e muitas ainda nem sequer são ainda conhecidas por espeleologos. Isto mostra que ainda temos uma infinidade de cavernas em Quartzito a serem descobertas, exploradas e mapeadas no Brasil.
Cabe lembrar que apesar da falta de formações delicadas as cavernas de quartzito são ambientes bastante instáveis, perigosos e frágeis. Instáveis pois suas rochas estão sempre “esfarelando” o que pode ocasionar em desmoronamentos e obstrução repentina de passagens durante as explorações. Perigosos pois muitas grutas são (como a do exemplo abaixo) repentinamente inundadas por água de chuva. Frágeis pois muitas destas cavernas apresentam espécies importantes, (bagres-cego, por exemplo), pouco estudados ou mesmo espécies endêmicas (exclusivas daquele ambiente).

As expedições onde foram gerados os dados acima fazem parte de um projeto idealizado pelo Instituto do Carste (www.institutodocarste.org.br)

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