Foi com festa e muita animação que o Grupo Bambuí comemorou neste final de semana passado seus 30 anos de existência. Um belo registro desta jornada pode ser visto através deste vídeo abaixo.
"E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que me fosse miraculoso"
Leonardo Da Vinci
segunda-feira, 18 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Parabéns Grupo Bambuí!
Este ano o Grupo Bambuí comemora 30 anos de existência.
Com certeza um tempo maior que a idade da maioria dos sócios atuais e que, sem dúvida, representa uma etapa importante da vida de todos. Foram tantas viagens, expedições, descobertas, explorações… Festas e mais festas; incontáveis mesas de bar… Amizades que surgiram e cresceram dentro do Grupo, alegrias, momentos inesquecíveis e saudade dos que se foram. Isso sem falar dos casais que acabaram se formando literalmente dentro de uma caverna. Vários… Uma data que deve ser intensamente festejada, relembrada e perpetuada para próximos anos. Afinal não é todo dia que atinge uma idade destas.
Com certeza um tempo maior que a idade da maioria dos sócios atuais e que, sem dúvida, representa uma etapa importante da vida de todos. Foram tantas viagens, expedições, descobertas, explorações… Festas e mais festas; incontáveis mesas de bar… Amizades que surgiram e cresceram dentro do Grupo, alegrias, momentos inesquecíveis e saudade dos que se foram. Isso sem falar dos casais que acabaram se formando literalmente dentro de uma caverna. Vários… Uma data que deve ser intensamente festejada, relembrada e perpetuada para próximos anos. Afinal não é todo dia que atinge uma idade destas.
Maiores informações no hotsite de 30 anos do Bambuí!
E não é só isso! O pessoal de SP do Bambuí também está comemorando uma data importante...
Dez anos de explorações na região de Bulha D'água!
Foram dez anos de muito suor, caminhando no mato em busca de cavernas, com tudo o que uma das regiões mais inóspitas da mata atlântica de São Paulo promete: cobras, mosquitos, onças, aranhas, subida, lama, carrapatos, mais mosquitos e muitas cavernas verticais. As cavernas Ribeirãozinho I, II e III com seus amplos condutos, o Abismo Los Três Amigos com suas enormes continuações, as escaladas subterrâneas, os abismos ainda inexplorados, as noites dormidas no meio do mato, em pequenos abrigos ou em enormes entradas. Tantas são as lembranças de tantos sofrimentos e momentos inesquecíveis. Parabéns a todos! Parabéns ao grupo Bambuí de todo o Brasil!
domingo, 13 de janeiro de 2013
Gruta de Brejões ganha nova topografia
(textos e fotos, Daniel Menin)
Uma expedição organizada por membros do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas e Instituto do Carste acaba de remapear em detalhes a caverna de Brejões, no Município de Morro do Chapéu, BA.
A expedição ocorreu no final do ano de 2012 e início de 2013, onde uma equipe de 16 espeleólogos permanecendo por 7 dias dentro da caverna concluiu o trabalho de topografia de mais de 23km de galerias subterrâneas (linha de trena).
A Gruta de Brejões, devido não somente a seu valor histórico, mas principalmente por seu gigante volume interno e ocorrência de formações rochosas raras é uma importante caverna no cenário espeleológico brasileiro. A primeira topografia, realizada há mais de duas décadas, não continha informações importantes de algumas áreas da caverna, por melhor que tenha sido o trabalho diante das dificuldades e limitações da época.
Além do remapeamento detalhado das áreas já conhecidas da caverna, a expedição resultou na descoberta de novas galerias e de mais uma caverna pertencente ao sistema: a Gruta de Brejões III.
Alguns números da topografia:
Brejões 1: 17.521 m
Brejões 2: 4.957 m
Brejões 3: 723 m
Externa: 666 m
Total: 23.867 m, através de 1.087 visadas.
O mapa do sistema será publicado na reedição do livro As Grandes Cavernas do Brasil e estará também disponível para pesquisas científicas nos órgãos competentes.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Escalada na Ribeirãozinho (a conclusão)
(Texto Daniel Menin, Fotos Alexandre Camargo - Iscoti)
Os meses se passaram, mas a imagem da possível continuação da caverna no desmoronamento acima da escalada não saia da minha cabeça. Estaríamos a caminho
da conexão entre a caverna Ribeirãozinho e o abismo Los três Amigos? Encontrar
uma passagem que unisse ambas as cavernas seria um ato histórico, além de abrir
novos horizontes nas explorações da caverna Los Três Amigos, tão grande e
acessado somente através de um penoso abismo vertical.
Em fim, em Novembro conseguimos marcar a última viagem do
ano para Bulhas e o intuito seria justamente terminar a escalada e retirar, de
uma vez por todas este mistério de nossa frente.
Dois dias antes da data da viagem, padeci de um forte resfriado.
Só me faltava perder a viagem por conta de uma gripe! Algo me moveu a mesmo com febre e debilitado preparar os equipamentos e manter a viagem. Eu poderia até desistir de última hora, mas não antes de me certificar que realmente não daria para entrar na caverna por conta da gripe. Arrumei o carro e segui viagem!
Sexta-feira
choveu o dia todo e Sábado amanheceu também chovendo. O grupo era grande, embora a equipe de escalada estava formada apenas por mim e pelo Brandi. Desta vez, o Marcos não pode nos acompanhar. O tempo foi clareando e devido
a umidade e ao calor intenso não estávamos seguros de que o dia permaneceria
sem novas e pesadas chuvas.
Havíamos portanto, vários fatores jogando contra a
expedição. A Febre, a possibilidade de enchentes subterrâneas e o cansaço da semana insistiam em nos
sugerir uma atividade mais amena, porém nossa determinação nos fez seguir para a caverna Ribeirãozinho III, sem mesmo avaliar outras alternativas na região.
Chegando na caverna, após cerca de 2,5hs de trilha
escorregadia mais uma barreira: o rio estava mais de meio metro acima de seu nível normal, além de apresentar uma coloração escura. Ainda assim, pensando nas diversas zonas de
fuga em casos de enchentes (galerias superiores), resolvemos seguir diretamente
para o fundo, passando logo pelo desmoronamento que seria a parte mais perigosa e retomar logo a escalada deixadas na última viagem.
Ao chegar no salão encontramos, sem surpresas a corda fixada exatamente da maneira em
que havíamos deixado. Afastada da água, seca e sem muita argila acumulada.
Rapidamente montei meu equipamento de vertical e iniciei a subida. A primeira
progressão, cerca de 20 metros de corda ao lado de uma lisa parede negativa ao
lado do rio é confortável e tranquila. Após chegar no primeiro patamar,
passa-se por um fracionamento e segue-se para o segunto patamar. Este tem um
spit mal batido e a chapeleta ao ser tencionada pela subida torce de maneira incomum projetando
o spit para fora da rocha, portanto, exige muito cautela na subida.
Chegando neste segundo patamar fiquei aguardando o Brandi
que vinha subindo pela primeira via. Tive a confirmação do perigo da ancoragem
ao ver a chapeleta entortando durante a subida do Brandi. “Cuidado! Suba de
vagar! Tente escalar e utilizando a corda apenas como apoio secundário!”
Alertei rezando para que o spit aguentasse os trancos da subida. Felizmente o
Brandi chegou até mim sem nenhum problema. Não é a primeira vez que nos surpreendemos com
a margem de segurança dos equipamentos e ancoragens!
Resolvemos então dar continuidade na escalada. O Brandi
ficou na segurança enquanto que eu, na ponta da corda, escalei mais um ressalto
que nos separava de um outro patamar, mais acima na parede. A escalada foi
fácil e rápida, mas o patamar não era suficientemente seguro para que eu
ficasse em pé sem uma devida segurança. Ainda deitado, bati um spit na parede,
fiz minha segurança e fiquei em pé. Olhando para cima parecia estarmos muito
próximo de um desmoronamento, seria somente subir mais um ressalto para atingir
uma região menos inclinada. O spit não havia (novamente) ficado tão bem fixado
na parede então, vendo que logo acima do ressalto havia uma superfície sólida
de calcário resolvi fixar um novo spit neste ponto. Uma ancoragem boa nos daria
mais segurança para atacar a área desmoronada! O calcário estava bastante duro
e o spit travou quando estava quase todo dentro da rocha. Nada de rodar, nada
de sair e a posição, incômoda fez com que decidíssemos para bater um novo
spit. O Brandi subiu até mim e tomou a frente da escalada. Após bater este spit
ele iniciou a escalada pela área desmoronada. Era bem mais difícil do que
imaginávamos. A inclinação, aparentemente menor, não passava de uma mera ilusão
e além disso, esta parte era extremamente instável, com muitos blocos soltos e
argila, sem apoios para a escalada. Rastejando neste ambiente e buscando apoios para não escorregar o Brandi chegou até um grande
bloco, fez uma ancoragem móvel entalando um mosquetão em uma fissura da rocha e então bateu um spit. Esse sim parecia ter ficado mais seguro.
Já estávamos cansados. O cansaço do spit anterior e da escalada e minha tosse contínua e febre da gripe quase nos fizeram desistir de continuar a subir e deescer de volta para o rio. Avaliamos as alternativas e quando estávamos quase decididos em descer eu resolvi me juntar ao Brandi e tentar uma travessia horizontal para a esquerda, em direção a um possível conduto.
As cordas também estavam acabando. A principal terminava naquele ponto e dali em diante tínhamos apenas mais uma corda menor, com cerca de dez metros. Chegando no bloco onde o Brandi havia se ancorado, me fixei na ponta desta corda menor. O Brandi ficou na segurança e eu parti em direção da travessia. A parede era bastante inclinada e escorregadia por conta da argila. Abaixo, o vazio vertical sugeria o máximo cuidado para não cair. Além disso, muitos blocos soltos atrapalhavam a progressão. Um desses blocos com cerca de 1 metro de diâmetro se deslocou quando apoiei e voou até a galeria do rio causando um enorme estrondo. Os companheiros, lá embaixo na galeria do rio, se protegiam do bombardeio que vinha de cima. Na metade da travessia, quando buscava desesperadamente apoios na parede encontrei uma boa estalactite. lacei uma fita estrangulando a formação e me ancorei na amarra. Ufa! Passei um mosquetão e costurei a corda na ancoragem. Não era a melhor segurança do mundo, mas me daria uma chance a mais em caso de queda. Agora faltava só mais um pouco para chegar ao outro lado da passagem. Iluminando bem o caminho estava claro que se tratava de um conduto. Eu não conseguia ver a base, mas me parecia uma área totalmente horizontal. Continuei a travessia. A corda estava se acabando. Agora era a parte mais inclinada. Melhor não olhar para baixo! Encontrei um travertino onde pude me apoiar. Mais um impulso e cheguei até uns blocos maiores e uma área menos inclinada. A minha frente bastava mais alguns metros fáceis para entrar no conduto. Eu havia vencido a travessia! E o mais incrível é que a corda não tinha nem mais um metro disponível. Foi exatamente o tamanho da travessia. Ancorei uma fita em um bloco entalado na parede. Dupliquei a ancoragem batendo um spit na calcita e aguardei que o Brandi viesse até mim.
Ao chegar, deixamos a corda e adentramos no conduto. Não era um conduto tão grande, mas uma sala com algumas pequenas possibilidades de continuações laterais, entre blocos e uma estreita passagem no fundo, junto a estalactites e escorrimentos. Acabaria alí nossa exploração? Eu estava cansado e desanimado com as pequenas continuações visíveis quando escuto o Brandi gritando: "Continua! Continua!". Eu corro até ele e, ao meio as estalactites sinto um forte vento vindo da passagem. "Resta somente uma pequena escalada por este escorrimento, entre as formações e parece ser uma área ampla lá em cima!" afirma Brandi iluminando a passagem. Na primeira tentativa já consegui subir. Nem foi preciso se espremer muito para passar e logo estar de pé em um vasto salão. Ajudei o Brandi a passar e logo estávamos nós dois entusiasmados com aquela descoberta. Um enorme conduto, com possibilidades de continuações por vários lados. Repleto de grandes estalactites e colunas. Agora sim, definitivamente encontramos uma grande continuação! Uma área fóssil da caverna! Caminhamos mais um pouco e vimos que o conduto se abria ainda mais. Apesar da emoção e entusiasmo da caverna resolvemos deixar a exploração para outro dia, junto com a topografia desta nova região. Com o tempo, aprendemos e gerenciar as explorações e evoluir de maneira gradativa, junto com a devida documentação topográfica. Estávamos ali satisfeitos com a conquista e certos do breve retorno.
Resolvemos iniciar a descida.
A febre deve ter aumentado, pois me esqueci diversos equipementos dentro da caverna. Um Pantin, minha bolsa de spite, batedor, martelo... A descida foi rápida, mas o caminho de volta foi extremamente cansativo.
Em
fim, no Domingo fomos recuperar nossas forças em uma das mais maravilhosas
cachoeiras de Bulha D ´água. Energia renovada para a próxima expedição em busca
da conexão entre as cavernas Ribeirãozinho III e Los Três Amigos!
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 2 - Salão onde deixamos equipada a subida para o primeiro patamar
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 3 - Início da subida para retomar a escalada
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 4 - Daniel e Brandi iniciam escalada a partir do ponto abandonado na última viagem
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 5 - Esquema completo da escalada e novo conduto encontrado.
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 6 - Croquis e ficha técnica da escalada e novas áreas descobertas
(Daniel Menin)
Imagem 7 - Equipe no retorno da cevrna
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 8 - Domingo de descanso em cachoeira
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Imagem 9 - Equipe unida antes da investida
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Escalada subterrânea na Ribeirãozinho III (o início)
Retomamos a escalada na caverna Ribeirãozinho III em Julho
de 2012. Retomamos pois parte desta escalada já havia sido realizada pelo
Brandi e outros espeleólogos anos antes, durante a topografia da caverna. Embora naquela ocasião a equipe não tenha encontrado continuações tão obvias, uma esperança de encontrarmos condutos superiores ou até mesmo uma conexão com a Caverna Los Três Amigos persistia por conta da proximidade entre as duas cavernas (mesmo rio!) e de uma teimosa corrente de ar que parecia soprar de cima naquele ponto da gruta.
Desta vez subimos eu e o Marcos. A primeira parte da escalada foi relativamente fácil, embora fosse tensa devido a morfologia da parede e as
consequências de uma queda. Subi primeiro, levando a ponta da corda e o apoio
moral do resto da equipe. Como não havia nenhuma possibilidade de segurança no meio do caminho, meu objetivo era subir direto, uns 20 metros, chegando
até a um patamar já conquistado pelo Brandi e a equipe anos antes e instalar a
corda em uma boa ancoragem para que o Marcos pudesse subir. A tensão da subida se justificava
porque em caso de queda, a pessoa seria projetada para uma fenda em meio a blocos abatidos, logo abaixo da parede, por onde corria o rio da caverna. Além de se machucar com o
choque nas pedras, certamente o infeliz seria levado
pela água do rio para baixo da parede de escorrimento, se afogando. Iniciei a escalada tentando não me lembrar muito destas conseqüências. A ponta das
botas aderiram bem na superfície. Joelhos, unhas e todas as superfícies de contato do corpo trabalhando ao máximo para evitar a mínima escorregada, que poderia gerar uma descida descontrolada. Em movimentos alternados entre escalada e rastejamento vertical fui avançando centímetro por centímetro até ganhar mais velocidade e em fim chegar no patamar sem muitos problemas. Ufa!
Instalei a corda em uma estalactite aparentemente resistente e o
Marcos, em progressão porém sem confiar tanto na corda logo se juntou a mim.
Após uma exploração rápida, não vimos grandes possibilidades de continuações a não ser contornando a parede pela direita, por onde talvez conseguíssemos progredir para cima, justamente pelo lado indicado pelo Brandi como possível continuação. A passagem não era muito longa, porém tomada por argila estava bastante exposta e escorregadia. Abaixo, o vazio de uma parede negativa em queda livre até o fundo do salão por onde passava o rio.
Após uma exploração rápida, não vimos grandes possibilidades de continuações a não ser contornando a parede pela direita, por onde talvez conseguíssemos progredir para cima, justamente pelo lado indicado pelo Brandi como possível continuação. A passagem não era muito longa, porém tomada por argila estava bastante exposta e escorregadia. Abaixo, o vazio de uma parede negativa em queda livre até o fundo do salão por onde passava o rio.
Fiquei na segurança e o Marcos seguiu abrindo caminho pela parede. Chegamos ao patamar. Iluminando acima parecia estarmos abaixo de uma continuidade
promissora. Após batermos um spit em uma parte exposta do calcário, iniciamos então mais um lance vertical de escalada. Era uma passagem curta, mas toda
realizado sobre argila, sem absolutamente nenhum apoio para as mãos ou pés, com rochas soltas e há cerca de 30m de altura. Tentamos várias vezes. Em uma delas acabai escorregando e caindo de volta ao curto patamar onde eu e o Marcos, espremidos, agradecíamos a
segurança do spit fixado na rocha. As tentativas nos foram esgotando física e psicologicamente até que na quinta ou sexta tentativa, após cavar apoios para os pés e utilizando literalmente a cabeça do Marcos como escada, consegui
atingir uma superfície menos inclinada e rastejar até um novo patamar, há cerca de 4
metros acima do anterior e ainda mais estreito. Eu estava
exausto. Me espremendo na parede fui rastejando até encontrar uma fenda horizontal mais protegida, onde não houvesse riscos de deslizar para o vazio. Fiquei ali deitado por alguns minutos, me recuperando. Parecia que minhas forças haviam se esgotado, mas ao me colocar naquela situação eu teria que, no mínimo sair dela inteiro. Procurei alternativas para fixar a corda, mas não havia a mínima chance de amarra-la em alguma feição ou formação rochosa. Sem opções de ancoragem
natural a única alternativa seria bater mais um spit. Limpando um pouco a argila, na parede ao meu lado, encontrei uma superfície aparentemente segura. Umas batidas com o martelo e o som emitido me deu a certeza de que se tratava de uma superfície maciça. Estava escolhido o local da ancoragem. E foi deitado e bem desajeitado que bati o spit na parede. Talvez tenha sido o spit mais demorado e mal batido que já inseri em uma caverna, mas foi o suficiente para que eu pudesse fazer minha proteção e descer. Mas antes de deixar o patamar e já seguro na ancoragem consegui ficar de pé naquele estreito patamar e iluminar a continuação da escalada, parede acima. Grandes blocos acima pareciam fazer parte de um desmoronamento que por sua vez parecia ser uma grande possibilidade de continuação. Por mais que estivéssemos
entusiasmados e perto de alguma descoberta, a conclusão da escalada e o esclarecimento deste
mistério não seria realizado naquele dia. Era Domingo, já estava tarde e
estávamos exaustos. Resolvemos descer e voltar em outra oportunidade. Assim
desci até o patamar de onde o Marcos fazia minha segurança e de lá rapelamos por
uma via direta, suspensa no ar ao lado de uma bela parede até o rio da
Ribeirãozinho.

(Imagem 1 - trabalho de escalada realizado na primeira viagem Daniel e Marcos - Foto: Alexandre Camargo - Iscoti)
As lembranças de quando eu estava deitado naquele estreito patamar, suspenso sobre um vazio negro abaixo e sem ainda uma solução de como sairia daquela situação não saiu da minha cabeça pelos meses que seguiram. Também não consegui me esquecer da imagem da continuidade da escalada, com aquela continuação que nos prometia boas descobertas. Seria ali mesmo o caminho que ligaria a caverna Ribeirãozinho III com a grande Caverna do Los três Amigos? O rio é o mesmo, mas a caverna ainda não estava conectada. Uma conexão que abriria novos horizontes de exploração na caverna Los três Amigos. Uma gruta tão grande mas com um acesso vertical tão difícil e penoso.

(Imagem 1 - trabalho de escalada realizado na primeira viagem Daniel e Marcos - Foto: Alexandre Camargo - Iscoti)
As lembranças de quando eu estava deitado naquele estreito patamar, suspenso sobre um vazio negro abaixo e sem ainda uma solução de como sairia daquela situação não saiu da minha cabeça pelos meses que seguiram. Também não consegui me esquecer da imagem da continuidade da escalada, com aquela continuação que nos prometia boas descobertas. Seria ali mesmo o caminho que ligaria a caverna Ribeirãozinho III com a grande Caverna do Los três Amigos? O rio é o mesmo, mas a caverna ainda não estava conectada. Uma conexão que abriria novos horizontes de exploração na caverna Los três Amigos. Uma gruta tão grande mas com um acesso vertical tão difícil e penoso.
(Imagem 2 - Descida do lance livre, abandonando a escalada na primeira viagem
Foto:Alexandre Camargo - Iscoti)
Foto:Alexandre Camargo - Iscoti)
(Imagem 3 - Gruta Ribeirãozinho III, trata-se do mesmo rio da caverna Los Três Amigos.
A conexão pela água impossibilitada por um sifão obrigou os espeleálogos a tentar via escalada
Foto:Alexandre Camargo - Iscoti)
A conexão pela água impossibilitada por um sifão obrigou os espeleálogos a tentar via escalada
Foto:Alexandre Camargo - Iscoti)
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Acontece!
Palestra na próxima quarta feira (dia 7/11) na sede do Bambui em Belo Horizonte, sobre expedição ao Krubera e o mais profundo animal cavernícola identificado.
Para quem estiver em BH, uma excelente ocasião para conhecer mais sobre os trabalhos de bioespeleo no abismo mais profundo do mundo.
Para quem estiver em BH, uma excelente ocasião para conhecer mais sobre os trabalhos de bioespeleo no abismo mais profundo do mundo.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Quer aprender a mapear?
Estão disponíveis para Download no site do Meandros dois arquivos muito úteis no aprendizado de topografia e mapeamento de cavernas: um curso básico de topografias de caverna, e uma apresentação sobre como fazer mapas digitais, ambos em pdf.
"Por quê topografar cavernas?
O mapa é o primeiro passo para outras pesquisas.
A topografia de cavernas é uma atividade de extrema importância, pois todos os estudos realizados em uma caverna dependem do seu mapa.
O mapa pode ser considerado como a “certidão de nascimento” de uma caverna, pois registra não somente sua localização no planeta terra, como também informações sobre seu desenvolvimento, desnível, enfim dá uma ideia geral de como é essa espaço subterrâneo.
O mapa é necessário para a definição da relevância da caverna
Até 2008, todas as cavernas eram protegidas por Lei. Desde a assinatura do Decreto 6640-08 e da publicação da Instrução Normativa que o regulamenta, surgiu a possibilidade da supressão de cavernas. Mesmo antes da assinatura do decreto muitas cavernas foram destruídas, antes mesmo de serem cadastradas, já que qualquer caverna localizada numa jazida mineral representava o impedimento de se minerar aquela área. Agora com o Decreto, é possível suprimir cavernas, mas para conseguir essa permissão, as empresas interessadas (mineradoras, hidrelétricas...) devem realizar estudos aprofundados sobre a área a ser explorada. Surgiu então um novo mercado para as pessoas que prospectam áreas, localizam e mapeiam cavernas. Esse mercado está em alta e paga salários consideráveis."
(Texto acima extraído da introdução do curso - autor: Leda Zogbi)
Quer aprender? Entre no site, baixe os arquivos e..... mãos a obra!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Bulha D'água, Julho 2012
No final de semana dos dias 13 e 14 de Julho estivemos novamente em Bulha's D'água.
Como sempre, fomos recebidos por pegadas de onça. Logo depois, topamos com uma bela Jaracaca bem no meio da trilha, e de bicho foi só isso mesmo.
Acampamos na grande entrada da Ribeirãozinho 3, em meio a mais marcas de onça. Bastante cansados após um puxado dia de explorações e topografia na caverna Buenos 4 e um belo jantar regado a vinho, roncamos profundamente nos sacos de dormir (exceto o Allan e o Cesar que não levaram absolutamente nada de acampamento). No dia seguinte, como sempre, fomos agraciados pela espetacular vista dos raios de sol adentrando à boca da caverna. Um Domingo que foi ainda mais longo do que o Sábado, devido a uma escalada subterrânea em busca de uma promissora conexão. E chegamos quase lá. Faltou pouco mesmo... Pouco porque nossas energias físicas e psicológicas se esgotaram na escalada. E além disso já estava tarde. Então resolvemos deixar a escalada equipada para concluir em uma próxima viagem. Esperamos daqui há algumas semanas, através de uma próxima expedição, terminar essa encrenca e poder escrever novamente aqui no site boas notícias sobre uma grande conexão. Até lá!
Fotos Daniel Menin
Fotos Marcos Silverio
terça-feira, 17 de julho de 2012
Duas boas leituras
Acabaram de serem publicados duas boas leituras sobre espeleologia. O Conexão Subterrânea, informativo digital da Redespeleo Brasil e a revista impressa O Carste, do Grupo Bambuí de Pesquisas espeleológicas. O Conexão é distribuído gratuitamente via mailling da Redespeleo e a revista O Carste é vendida através de uma assinatura anual e distribuída no Brasil e exterior.
Para receber o Conexão Subterrânea escreva para: secretaria@redespeleo.org.br
Para assinar O Carste escreva para: bambui@gmail.com ou azuias@yahoo.com.br
terça-feira, 3 de julho de 2012
Novos mapas publicados
Depois de alguns meses e três viagens à Morro do Chapéu na Bahia, acabamos de publicar dois mapas de importantes cavernas da região. O mapa do Sistema Cristal, compreendendo as Grutas de Cristal I e II, conectadas na penúltima viagem gerando uma só caverna com mais de 2km de projeção e a Caverna da Velha Duda, encontrada na última expedição. Esta segunda, apesar de ser uma caverna de grandes volumes, os cálculos da topografia não apontaram desenvolvimentos tão notáveis (1.136m de desenvolvimento e 75m de desnível), fato que não ofusca a beleza e grandiosidade de seus salões.
Maiores informações sobre as expedições em Morro do Chapéu podem ser encontradas neste mesmo site.
As cavernas encontradas e topografadas foram registradas no cadastro nacional (CNC) e seus mapas enviados à mapoteca da Redespeleo. Os mapas também estão disponíveis na CPRM e no site do Grupo Meandros.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Fotos do Vale do Ribeira
Fotos tiradas durante aula de campo da disciplina Geologia de Terrenos Cársticos do IGc-USP em maio de 2012.
Gruta da Tapagem (Caverna do Diabo)
Vale do Betari - Núcleo Santana Iporanga / SP
Gruta da Tapagem (Caverna do Diabo)
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