"E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que me fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 27 de maio de 2019

É lançado o atlas das grandes cavernas do Brasil


O Grupo Bambuí e o CECAV estão lançando este mês uma nova publicação para a espeleologia brasileira: CAVERNAS - ATLAS DO BRASIL SUBTERRÂNEO.


A obra é resultado não somente da atualização da Edição "As Grandes Cavernas do Brasil", de 2001, mas de um largo trabalho de novas pesquisas, coleta de dados e topografias realizadas desde a última coleção, há quase vinte anos. 

Este novo livro também expande a lista das maiores cavernas do país destacando as mais relevantes em outras litologias e uma descrição detalhada das regiões espeleológicas do Brasil. O resultado está organizado em 340 páginas coloridas com fotos, mapas, dados e históricos de cada uma das maiores cavernas do Brasil.

O trabalho também não se restringe somente aos autores ou ao grupo, mas representa a atuação de toda uma comunidade espeleológica brasileira atuante e comprometida na documentação e preservação do seu patrimônio espeleológico. É resultado, portanto, da colaboração de inúmeros espeleólogos de diferentes especialidades, grupos e estados do Brasil.



Lançamento em Belo Horizonte: dia 8 de junho de 2019.
Horário: a partir das 18:00 hs

Local: Auditório da CEMIG
Endereço: Av. Barbacena,1200, térreo, Sto Agostinho


Realização:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Conectamos! Mas.... onde?

Uma das maiores e mais desafiadoras cavernas do PETAR está próxima de ter um mistério revelado: uma nova entrada.

Há mais de dez anos o Abismo Los Três Amigos desafia os espeleólogos. Desde sua descoberta, em 2005, foram dezenas de viagens para equipar os abismos, topografar e amplos condutos de rio e um gigantesco nível fóssil.

Quem olha apenas para os números não tem ideia da dimensão da caverna: são 4km de linha de trena e aproximadamente 2km em projeção horizontal, mas estes dados não refletem nem de perto a grandiosidade dos condutos e a dificuldade de explorá-los. Após vencer 140m de cordas enlameadas, os espeleólogos têm que encontrar caminhos entre gigantescos blocos abatidos em uma sequência de grandes salas tanto à Leste quanto Oeste da descida. 60m abaixo, um conduto freático avança ora em grandes proporções, ora entre desmoronamentos dificultando ainda mais a progressão.

A cada viagem, uma nova peça do quebra-cabeça foi sendo encontrada. Já tentamos por vias externas em diferentes cavernas para encontrar novas entradas, sem sucesso. Por dez anos investimos em escaladas e longos desmoronamentos nas supostas ressurgência e sumidouro, respectivamente caverna João Dias e Ribeirãozinho III, igualmente sem sucesso. Em 2016 retomamos os trabalhos via abismo e desde então a cada viagem metros a mais são somados na topografia.

Esta última viagem teve um contingente excepcional: 17 espeleólogos se uniram na casa de pesquisa de Bulha D'água com o intuito de somar esforços dentro e fora da gruta. Duas equipes internas, uma de fundo e outra de apoio se concentraram no abismo. A primeira tinha o objetivo de equipar os 30m verticais no extremo Leste da caverna (jusante) e - caso encontrasse novamente a galeria de rio - seguir mapeando em direção à Ribeirãozinho III. A segunda equipe tinha como objetivo realizar trocas de corda entre -40 e -80m de profundidade, as mais duras e enlameadas cordas da gruta. Outras equipes se dividiram entre exploração da Fenda do Fábio, localizada logo acima da caverna e prospecção externa na sequência de dolinas à leste da entrada.

 A equipe de fundo da gruta tinha um objetivo audacioso: entrar cedo na caverna, realizar seu trabalho e retornar no mesmo dia. Com este desafio, dormimos na casa de pesquisa Sexta-feira e Sábado antes mesmo dos primeiros raios de sol já estávamos com tudo pronto, tomando café e esperando que o dia clareasse um pouco para entrarmos na trilha. Chegamos na caverna cedo e as 9h já estávamos na corda. A progressão dentro da gruta foi igualmente rápido e as 11h da manhã estávamos no extremo Leste, próximo ao abismo, nosso objetivo.
Levamos conosco cerca de 60m de cordas e tínhamos 20m de uma antiga deixada no local na última investida (relato aqui no blog).
A equipagem com a furadeira facilitou o trabalho, mas demoramos um pouco para encontrar a melhor logística na ordem das cordas. A corda antiga (cerca de 10 anos de gruta) foi instalada no início da via, para uma aproximação mais segura. A corda mais fina, colocamos nos primeiros lances inclinados. Finalmente, a corda em melhor estado foi instalada com uma ancoragem dupla em parabolt para uma descida livre de cerca de 20m até a galeria de rio. Às 13h estávamos iniciando a topografia dos condutos novos de rio, seguindo em direção à parte inexplorada da gruta.
Topografamos por um amplo conduto, com teto variando entre 20 e 50 metros de altura e largura entre 5 e 20 metros. Mas a felicidade não durou muito: após cerca de 200m chegamos até um novo desmoronamento. Pelo rio a passagem era muito apertada então subimos por uma lateral de areia até que... surpresa! Encontramos pegadas!!!

Conforme avançávamos pelo desmoronamento as marcas ficavam mais evidentes. Rastejamentos, escaladas, escorregadas, a caverna estava repleta de marcas de exploração antiga e tentativas de atravessar o quebra-corpo. Era evidente que alguém tentara passar pelo mesmo desmoronamento que nos deparávamos.

Nosso entusiasmo foi enorme, embora não tenhamos encontrado vestígios de onde vinham as marcas. A elevação das águas teria apagado as pegadas mais baixas por todo conduto de rio deixando marcado apenas os locais mais altos. Nossa primeira teoria é que o explorador teria vindo de cima, por corda e tentava atravessar os blocos no mesmo sentido de que nós. Ao explorar o rio na montante, também teria se deparado com uma parte intransponível sem ideia de que havia um grande conduto fóssil acima de onde descemos de corda, mas claro, tudo isso era suposição... Outra sugestão é que a pessoa teria vindo da caverna Ribeirãozinho III forçando muito a passagem entre bolos pela água e depois tentara retornar por cima em outros caminhos.

Após várias tentativas por entre os blocos, chegamos em áreas sem marcas e bastante apertadas. Resolvemos dar por encerrada a atividade e começar a voltar. Durante o retorno ainda tentamos uma escalada entre escorrimentos, mas sem equipamento adequado e tempo achamos mais sensato não arriscar.
Saímos da caverna às 23h chegando na casa de pesquisa por volta de 1h30 do Domingo.

A segunda equipe concluiu com êxito a tarefa das trocas de corda deixando mais segura a descida até a cota de -80m.
As equipes de superfície, composta por integrantes do Bambuí e Grupo Mandurí também concluíram suas atividades excluindo as possibilidades de conexão via Fenda do Fábio e não encontrando nenhuma nova entrada pela mata.

A plotagem da caverna pelo mapa de superfície mostra que a caverna Los 3 Amigos está a menos de 200m da caverna Ribeirãozinho III, mas uma possibilidade de conexão via conduto de rio é bastante remota visto a dificuldade entre os blocos desmoronados em ambas as grutas. Resta como um mistério a entrada que originou as pegadas encontradas no final da caverna Los 3 Amigos. Certamente conectamos o abismo com alguma caverna parcialmente explorada, nos resta entretanto saber qual é esta caverna e onde está sua sua entrada.

Equipe de fundo: Descida do Vôo-livre (foto Alexandre Lobo)
Equipe de fundo: ponto de descida do abismo no extremo leste da caverna antes de encontrar novamente o conduto de rio.
(foto Alexandre Lobo) 
Equipe de fundo: ponto de descida do abismo no extremo leste da caverna visto de baixo.
(foto Daniel Menin)
Equipe de fundo: conduto de rio descoberto após rappel do abismo na continuidade da caverna (foto Alexandre Lobo).

Equipe de fundo: escalada de lateral no conduto de rio mapeado no extremo Leste da caverna (foto Alexandre Lobo).
Teriam as pegadas vindas daqueles condutos superiores?

Nosso estado nos raros momentos de descanso
Equipe de fundo: Self após 15 horas de gruta.
Uma sucessão de alívios até chegar na casa de pesquisa.

Área mapeada na viagem pela equipe de fundo, após descida vertical e reencontro do conduto de rio.

Equipe de manutenção de reequipagem 

Terraço do vôo-livre durante trabalho de reequipagem.

Terraço do vôo-livre durante trabalho de reequipagem (abaixo são 53m verticais em um enorme salão)
Equipe de prospecção Fenda do Fábio
Exploração de possíveis entradas durante prospecção da Fenda do Fabio.
Equipe de prospecção realizando descida de entrada vertical (foto: Herman)

Partes da Fenda do Fábio - Embora esteja a poucos metros de salas superiores da caverna, infelizmente não foi encontrada uma conexão com o abismo (foto: Herman)

Exploração de possíveis entradas durante prospecção.

Exploração de possíveis entradas durante prospecção.

Exploração de possíveis entradas durante prospecção.

Região da Caverna Los 3 Amigos e Ribeirãozinho III - apenas 200m separam as duas grutas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Seria esta uma nova entrada para o abismo Los Três Amigos?

Texto: Thomaz Rocha e Sila (Vagalumne) e Fabio Von Tein
Fotos: Adrian Boiller

Na quarta feira, 19 de dezembro, após 2 dias de cavernadas, Zé Guapiara, eu (Vagalume) e Adrian fomos para uma incursão no morro onde está a caverna Los Três Amigos. Eram dois objetivos: georreferenciar e topografar a Gruta da Borboleta, pendência de uma viagem de 2015, e georreferenciar, explorar e topografar uma fenda encontrada pelo Zé Guapiara e Fábio von Tein quinze dias antes, com potencial de ser uma nova entrada para o Los Três Amigos.
A topografia da Gruta da Borboleta, de pouco mais de 50m de linha de trena, foi tranquila e levou tempo suficiente para o Zé encontrar mais duas cavidades a menos de 100 metros dali. As duas pequenas cavidades estão lado a lado e são inversas. A Gruta achatada, de 15m de desenvolvimento, é completamente horizontal, enquanto o Buraco do Sapo, 6 metros distante da primeira, consiste em uma entrada no fundo de uma dolina íngreme levando por um canudo completamente vertical de 7 metros de profundidade e 1,5m de diâmetro. Como só foi possível constatar essas dimensões ao chegar na boca do abismo, uma vez que a dolina era muito íngreme, o Vagalume teve de equipar e ancorar para a curta descida, que foi frustrante já que estávamos bem acima da grande caverna.
Rumamos finalmente para a fenda descoberta na viagem anterior, por uma trilha que corta caminho, mas atravessa passagens muito íngremes enlameadas no meio de samambaiaçus (o que significa espinhos em todos os lugares). Ao chegarmos, constatamos um grande paredão formando uma cavidade de quase 30 metros de comprimento. O Zé nos falou que exploraram o primeiro nível da fenda e que haveria continuações à direita e à esquerda, sendo a da direita mais promissora. Optamos então por realizar a exploração e voltar topografando, iniciando pela direita. A descida é íngreme e o desnível é passível de acidente, principalmente pela quantidade e tamanho de blocos soltos, mas isso também indica que houve pouca frequência humana. Ao descermos, constatamos que há um primeiro nível, com vários acessos ao que seria um segundo nível inferior. O da direita chegou a um pequeno salão que fechou. Voltamos topografando o nível superior, deixando indicadas as possíveis descidas. Ao chegar ao canto esquerdo, junto à parede, encontramos atrás de um grande bloco uma descida de aproximadamente 6 metros quase negativa em bloco liso, o que nos fez instalar um spit para maior segurança. Ao descermos, a topo retornava o azimute reverso do nível superior, demonstrando que realmente se trava de níveis. No entanto este logo se fechou. Porém, seguindo a linha vertical do paredão à esquerda, ainda descemos para o que parece ser uma outra galeria, cujo acesso passa por um quebra corpo sem vento por baixo de blocos soltos. Já completávamos 9 horas de atividade e, no terceiro dia seguido de cavernada, o cansaço e projeção da trilha da volta nos frearam. Optamos por aguardar a plotagem da linha de trena para verificar o quão promissor é o local.
Para nossa alegria, a linha de trena demonstra que o local que paramos está a aproximadamente 40 metros do último ponto de topografia do Los três Amigos! Em breve realizaremos uma incursão de ataque ao local para tentearmos esta conexão.


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Observe no canto superior esquerdo a linha de trena da fenda em direção ao abismo Los Três Amigos.
Em cinza a representação do terreno.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Abismo Los Três Amigos: continuações, chuvas, condutos enormes e... uma nova entrada?


Textos e fotos: Daniel Menin e Fabio Von Tein

No último final de semana, 1 e 2 de Dezembro, estivemos novamente em Bulha D'Água, PETAR, SP para dar andamento aos trabalhos sistemáticos de exploração e mapeamento das cavernas da região.

Na Sexta-feira, como já é de costume, dormimos na casa do Zé Guapiara, último trecho possível de estrada de terra a se fazer com carro comum. A viagem foi mais cansativa do que de costume devido às fortes chuvas que parece terem insistido em seguir por cima de nosso carro desde a saída de São Paulo.


Não posso dizer que consegui efetivamente dormir de Sexta para Sábado. Além da ansiedade para o dia seguinte, não foi o barulho dos trovões, mas uma sinfonia em último volume de roncos que atrapalhou. O sono veio mesmo naquele cochilo de manhã cedinho, pouco antes de levantar.


Malas arrumadas e subimos no trator. Aquela felicidade com a trilha menor da última viagem logo foi literalmente por água abaixo quando soubemos que a estrada aberta não poderia ser feita nem por trator desta vez, o que nos obrigou a ir até a casa de pesquisa e percorrer o tradicional caminho de quase 2h no sobe e desce de trilhas até a caverna.

Desta vez, foram organizadas duas equipes sendo a primeira para descer o Abismo Los Três Amigos e a segunda para prospecção externa em busca de novas entradas.

Abaixo seguem os relatos de cada equipe, bem como imagens e resultados da viagem:


Equipe 1: fundo

O objetivo nesta viagem era de retomar a exploração e topografia no setor Leste da caverna, à jusante do rio. Há quase dez anos, apenas uma equipe esteve daquele lado, quando Ezio, Lilia e Cesar mapearam um enorme conduto fóssil até um trecho vertical de onde ouvia-se o barulho do rio metros abaixo, mas sem a possibilidade de descer devido a um lance vertical de aproximadamente 17m (indicado no croquis). A equipe também deixou algumas laterais em aberto no conduto principal o que deveria ser revisto nesta viagem.

Entramos na caverna as 12h do Sábado, nos separando da equipe externa. Em apenas 3 espeleólogos (Daniel, Ives e Eduardo), descemos rápido até o salão do vôo-livre, onde fizemos um rápido lanche. Obviamente nos perdemos um pouco para encontrar o caminho que desce do salão para acessar o grande conduto à Leste. Acontece que os desníveis e blocos enormes dificultam muito o caminhamento naquele ponto da caverna existindo poucos acessos para qualquer lado que seja.

Seguimos pelo conduto ora descendo para o rio, ora por cima de blocos até encontrarmos uma passagem bastante exposta ao lado de um escorrimento. Pude então observar um corrimão instalado há dez anos pelo Ezio. Corda, mosquetão, nó... tudo estava calcificado incorporando-se à formação. Incrível a velocidade de calcificação nestas condições de escorrimento ativo. Conseguimos transpor o corrimão sem grandes problemas e nos deparamos com a supercortina, formação conhecida por mim apenas por um croquis há dez anos. Realmente trata-se de uma formação impressionante, sem dúvida a maior cortina que eu já vi em minha vida, com mais de 2 metros de largura, cerca de 50cm de diâmetro e 30 de altura. Prometi que faria uma fotografia na volta.

Seguimos por um conduto de rio com bastante água e corredeiras. Em alguns lugares imaginei a força da água em um caso de enchente, mas ao mesmo tempo o conduto oferecia muitos pontos de fuga.


Chegamos a um desmoronamento cujo caminho por baixo parecia impossível. Apenas uma escalada muito exposta e em negativo nos levaria até uma visível grande área superior. Tentamos entre os blocos e já estávamos quase desistindo quando conseguimos passar por um estreito local e acessar a parte alta do conduto. Mais alguns metros e constatamos ter chegado ao final da área mapeada. De cima de um terraço podíamos ouvir o rio lá embaixo e a continuação do conduto, mas não podíamos vê-lo. Tentei descer entre blocos e cheguei a uma lada com boas condições de iniciar um rappel. Como levamos conosco 20m de corda, fiz uma ancoragem natural em 2 estalagmites bem confiáveis e iniciei a descida. Cheguei até uma borda não muito segura. Daí em diante eu ficaria totalmente pendurado e portanto deveria dispor de proteção de corda ou instalar um fracionamento. Sem chances de novas ancoragens naturais ou de bater um spit (não levamos batedor), deixei a descida para outro dia. Pelo que puder ver da borda do terraço, a corda seria insuficiente para descer o que me desanimou de forçar e me pendurar.

Subimos recolhendo toda a corda e a deixei enrolada em um lugar bem visível para a próxima viagem.

Fiz um croquis para completar o mapa e iniciamos nossa volta.

Durante o caminho da volta, mapeamos um longo trecho de rio deixado em aberto na primeira topografia. Tratava-se nada menos do que um conduto com cerca de 8m de diâmetro e mais de 30 de altura. Realmente, as proporções na caverna Los Três Amigos deixam qualquer outra gruta inexplorada para trás...

Chegamos na base do vôo-livre as 23h da noite. O último espeleólogo (no caso, eu) chegiu no patamar da soneca, a -40m da entrada a 1h da manhã encontrando os demais já esquentando água para um delicioso Cup Noodles...

Também fiz meu jantar, tirei o macacão molhado e os equipamentos e tratei de preparar um ponto quente para descansar. Enrolado em uma manta térmica e me espremendo em um pequeno pedaço de isolante térmico dormi profundamente por umas 3h e depois alternei entre descanso e chá quente até as 5h40 quando resolvemos seguir caminho.

As 8h30 da manhã de Domingo chegávamos cansados na casa de pesquisa sendo recebidos pela equipe externa com a notícia de terem encontrado uma possível nova entrada.


Equipe 2: prospecção externa


Iniciamos uma trilha contornando o abismo dos ossos pelo lado norte. Logo no início encontramos uma bela jararaca de 1,5m a poucos centímetros de nosso caminho, que se assustou e sumiu mato adentro. Seguimos o caminho recém-aberto e em seguida viramos a sul, seguindo o que seria o mapa da gruta muitos metros abaixo.

O caminho segue por uma sequência de grandes dolinas, indicando que a gruta possui uma enorme quantidade de galerias fósseis a poucos metros da superfície. Entretanto não achamos nenhuma passagem.

Neste rumo chegamos à beira do que seria o topo do vale do sumidouro da gruta Ribeirãozinho, uma região repleta de grandes blocos calcários.

Zé Guapiara havia comentado que já conhecia o lado oeste, indo de encontro a gruta João Dias, e decidimos, portanto, seguir a leste, onde avistávamos grandes paredões calcários brancos.

A descida foi árdua, sempre entre muitos blocos, mas eventualmente chegamos na base do paredão branco, que se mostrou um grande abrigo de rocha desmoronado e com forte declive. A lateral esquerda segue por diversos metros, formando salões. Uma nova caverna, mas sem, entretanto, apresentar seguimento. Já o lado direito também apresenta continuidade, mas aqui podemos sentir uma clara corrente de ar. Foi identificada uma passagem estreita, ligeiramente obstruída, que pode oferecer seguimento se melhor explorado. Acreditamos que pode haver aqui uma passagem aos salões superiores da gruta L3A, no extremo oeste da mesma.

Ao sairmos, continuamos a descer o vale, seguindo o som do rio muitos metros abaixo, no sentido do sumidouro e pouco mais abaixo achamos outra boca com vento, mais estreita, mas claramente com forte corrente de ar. Este é mais um lugar que precisa ser melhor explorado.

Continuamos a descida e eventualmente chegamos ao rio, iniciando a árdua subida pela antiga trilha, chegando de volta ao abrigo depois de duas horas de caminhada.

A região promete. Novas possibilidades de acesso ao L3A precisam ser detalhadamente exploradas, e quem sabe, oferecer um acesso mais fácil à maior e mais fantástica caverna da região.


Equipagem da entrada da caverna, Sábado de manhã


Equipagem da entrada da caverna, Sábado de manhã

Grandes condutos na jusante da caverna. Os desníveis e grandes blocos dificultam o caminhamento na caverna.


Conduto de rio mapeado na viagem

Conduto de rio mapeado na viagem
Enquanto isso a equipe 2 bebe água fresca na sombra de um paredão. Será que encontraram uma nova entrada? Tem vento! 


Super cortina (iluminando para trás) 


Super cortina (iluminando para frente)

Nosso estado, saindo da caverna.

Ao chegar na casa de pesquisa, após mais 2h de trilha.

Partes do croquis da viagem. Ponto final da topografia com abismo e continuação.

Mapa atual com condutos e correções realizadas na viagem.

Conduto inferior de rio topografado na viagem

Conduto superior que não estava indicado (possível acessar através de escalada artificial) e croquis da continuação da caverna.


Volta para SP: Fabio dirigindo e eu no co-piloto
Agora sim, todos os presentes, sem muita pose...