“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

sábado, 10 de maio de 2008

Série Tecnica - Amarragens perigosas com cordelete de Dynema

Segue abaixo o primeiro artigo da Serie Técnica aqui no Blog.

Trata-se de exemplos de ancoragens perigosas realizadas com o uso de alguns equipamentos considerados específicos para Técnicas Leves (Thecniques Legeres). É sabido que hoje na França as "Thecniques Legeres" estão sendo mais difundidas e padronizadas pela própria Escola Francesa. Este fato é uma resposta da própria Federação à popularidade de alguns equipamento e a certa "massificação" na utilização dos mesmos. É certo que, a utilização sem o devido conhecimento das técnicas e dos limites dos equipamentos torna-se bastante perigosa.
As fotos foram tiradas em alguns abismos de grande fluxo de espeleólogos, durante saídas de avaliação técnica na França. Entre estes equipamentos "leves" está o resistente cordelete de Dynema (vide outras postagens sobre este material).
Utilizando corretamente, as ancoragens com este cordelete são seguras e práticas pois o cordelete tem alta resistencia a abrasão e em muitos casos substitui as tradicionais fitas de alta resistência. Porém existem diversos cuidados extra que devemos tomar quando utilizamos o Dynema.

A intenção desta postagem é colocar aqui algumas imagens que pude vivenciar de outros espeleólogos usando e abusando destas técnicas porém, com baixíssima margem de segurança.

Desta forma, as fotos abaixo servem como exemplos de práticas para nunca repetirmos ou copiarmos.

Nesta imagem o espeleólogo duplicou a ancoragem usando 2 pontos móveis (Nut) para fixar o cordelete. Ao invés de produzir 2 alças com o cordelete, ele usou um cordelete simples diminuindo bastante a resistência do sistema. Em caso de soltura de um dos pontos móveis a margem de segurança no segundo ponto estaria sériamente reduzida.


Já nesta imagem ao lado, a única coisa dita "correta" pelos padrões destas técnicas é o nó usado na corda (balsa com seio duplo, bom para a conexão do longe).
A amarragem não está fixada por um anel duplo de cordelete, o ângulo está aberto demais para uma ancoragem dupla e os pontos de fixação são móveis. A soma destes fatores torna a acoragem extremamente arriscada!!!






Ao lado, outra ancoragem dupla porém perigosa:

Falha 1: Amarragem com cordele simples e não duplo. Recomenda-se usá-lo sempre através de um anel duplicando assim sua resistência. Não foi por falta de cordele pois existe bastante sobra à esquerda.

Falha 2: Este tipo de mosquetão (sem trava) não é recomendável para ancoragens, mas apenas para usar nas extremidade do longe. Se o problema fosse peso, seria suficiente usar qualquer mosquetão de trava em Zycral.
Uma saída rapida para tornar a ancoragem mais segura seria descartar este cordelete e usar as alças do nó para produzir a ancoragem dupla dividindo o penso entre as argolas conectadas nas chapeletas. Ao utilizar o nó balsa com seio duplo em ponta de corda faz se necessário fazer um bloqueio com a pomta da corda.