“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

sexta-feira, 21 de março de 2014

Bulha D'água: Nova entrada da Buenos I

Março de 2014 e lá fomos nós para mais uma viagem à região de Bulha D'água, no PETAR.

Com algumas baixas de última hora, desta vez a equipe estava reduzida somente aos mais bravos e persistentes espeleólogos: Iscoti, Fabio, Zé e eu (Daniel). Um dos objetivos era descer um pequeno abismo localizado em uma viagem anterior, bem próximo às cavernas Furo 30 e Buenos I. 

Para se chegar até o abismo escolhemos um caminho alternativo, atravessando por dentro da montanha pela caverna Furo 30 ao invés de contorná-la pela trilha A decisão, além de nos poupar esforços abrindo a trilha já tomada pela mata, nos proporcionou um agradável passeio.

Encontramos a entrada do abismo depois de bater um pouco de mato, ao sair da Furo 30. Um buraco estreito ao lado de uma íngreme encosta. Antes de descer, como já é de costume, jogamos algumas pedras para estimar a profundidade. A pedras resvalavam em superfícies sólidas até encerrarem a queda em um sonoro "TIBUM"..... água abaixo! Rapidamente ancoramos a corda na própria encosta. Nos espremendo um pouco pelo estreito buraco deslizamos pela corda caverna abaixo. Chegando ao fundo, uma íngreme descida escorregadia nos levou até um conduto de rio. Estávamos na Caverna Buenos I, já conhecida e mapeada.

No Domingo o dia foi curto, mas não o suficiente para uma escalada até uma possível gruta, em um paredão próximo a casa de pesquisa. A escalada foi rápida. Subi usando raízes como apoio, costurando proteções para passar a corda. Na outra ponta, o Iscoti garantiria minha segurança em caso de queda. A escalada em si não foi difícil, embora uma queda poderia ser grave visto a altura do barranco até o rio, correndo mais de uma dezena de metros abaixo. Um pouco de suor e cheguei até o topo. Na verdade, apenas um abrigo no meio do paredão. Mistério de dois anos desvendado.

Em resumo, o final de semana foi ótimo e Bulha, mais uma vez, honrou sua fama de região inóspita. As trilhas íngremes e de difícil acesso já estavam se fechando em resposta a nossa ausência por poucos meses. Encontramos animais peçonhentos, cobras e pegadas de pacas que insistem em rondar nossas trilhas.

(Fotos Daniel Menin)


Equipe de bravos, que não "desistiu" da viagem
Trilhas íngremes e fechadas fazem jus à fama da região


Entrada da Caverna Furo 30, para atravessar a montanha e seguir nosso caminho

Casa de pesquisa e Fabio ensaiando uma Dança da Chuva

A Dança funcionou e lá vem a tempestade de raios

(Fotos Iscoti)

Abismo - uma nova entrada para a caverna Buenos I

Se espremendo para passar

Ancoragem de aproximação

Parada para lanche, após exploração do abismo

Escalada de Domingo. Iscoti dando proteção.