“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Prêmio Go Outsiders homenageia grupo de espeleologia

Este mês a revista Go Outside apresenta o Prêmio Outsiders 2017. Esta é a décima segunda edição de um prêmio que reconhece atletas e aventureiros que expandem os limites do mundo outdoor.



Os homenageados são desde atletas de elite da água que se sobressaíram em campeonatos mundiais em suas modalidades até montanhistas que colocaram
seu esporte em um novo patamar, dentro e fora do Brasil.

  

Nesta edição, o reconhecimento foi além dos esportes tradicionais e entre os homenageados está o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas. Diferente do montanhismo, surf, escalada ou Kite, a espeleologia é uma atividade que mistura esporte com ciência e aventura e acontece longe de câmeras e de público. Por trabalhar em lugares remotos e de difícil acesso debaixo da terra, os espeleólogos quase sempre fazem um trabalho silencioso explorando, mapeando e registrando as belezas mais escondidas no Brasil e exterior.



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O Bambuí existe a mais de 30 anos e mapeou a maioria das grandes cavernas brasileiras. Além de mapas, o grupo sempre esteve presente nas discussões, atividades, publicações e realizações em torno da importância e da preservação das cavernas do país. 


Homenagem mais que merecida!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Expedições pelo Brasil - Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas

O GBPE (Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas) continua em 2017 seguindo seus trabalhos de exploração, mapeamento, topografia e fotografia subterrânea. Neste ano estão sendo realizadas expedições aos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, além da participação em atividades internacionais.

Em Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017 o Grupo organizou mais uma expedição à região de Laje dos Negros, em Campo Formoso, BA. São 30 anos da descoberta da caverna e mais de 50 expedições de estudo e mapeamento na região.

A expedição contou com cerca de 30 espeleólogos, entre membros do Bambuí, integrantes do EGB (Espeleo Grupo de Brasília) e do GEGEO (Grupo de Espeleologia da Geologia - Igc Usp). Também estiveram presentes pesquisadores do Gruppo Speleologico Bolognese e Unione Speleologica Bolognese (Itália) e do CRF - Cave Researxh Fondation, de Kentucky (EUA). Os americanos, já bem habituados com grandes cavernas uma vez que participam constantemente de atividades na Mamouth Cave, atual maior caverna do mundo, com 652km de galerias exploradas.

A Toca da Boa Vista está atualmente com 110km mapeados e a Barriguda 33km. Embora os trabalhos de mapeamento sejam a cada ano mais difíceis, cada expedição gera uma importante contribuição aos mapas aumentando ainda mais a relevância destas cavernas no cenário espeleológico mundial.



 








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Doação de roupas, acessórios e brinquedos a povoados locais

 

Tradicionais Jegues de Laje dos Negros, descansando na sombra 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estudos na Caverna Paraíso publicados na revista Nature

Há 15 anos estivemos na Caverna Paraíso, localizada no meio da mata Amazônica, no estado do Pará. Além da exploração, o objetivo da viagem era continuar o mapeamento iniciado em uma ocasião anterior e realizar coletas científicas para estudo de paleoclima, estudos que mapeiam o clima da terra em diferentes regiões através de registros deixados no crescimento de estalagmites. Quanto mais rápido o crescimento da formação, mais húmido foi o período registrado. Como a Amazônia não conta ainda com muitas cavernas de calcário conhecidas, as amostras coletadas na Caverna Paraíso serviriam como uma das principais fontes de informação da região. Os geólogos Francisco William da Cruz Junior (Chico Bill), do Instituto de Geociências da USP e Augusto Auler, do Instituto do Carste organizaram a expedição e o estudo das amostras.


Quinze anos se passaram e os resultados estão agora se tornando públicos. Um artigo recém publicado na mais importante revista científica do mundo, a Nature, está dando grande visibilidade às pesquisas. Segundo a matéria, a Amazônia passou, nos últimos 45mil anos, por grandes variações climáticas alternando épocas de muita umidade com épocas de menos chuva. De acordo com os resultados, durante a última glaciação – cerca de 21 mil anos atrás – o leste da Amazônia era bem menos úmido do que hoje, com aproximadamente 58% da chuva dos tempos atuais. Mais recentemente, cerca de 6 mil anos atrás, o estudo detectou um período de grande umidade, com 42% mais chuva do que nos dias de hoje (Revista FAPESP, 2017).



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A Caverna Paraíso tem grande variação de fauna e também uma rica colação de formações. Apesar de ser hoje a maior caverna em Calcário conhecida na Amazônia, com cerca de 3km de desenvolvimento, é constantemente ameaçada por estar localizada próximo à lavras em plena atividade. Durante as expedições na região, cruzamos constantemente com caminhões de mineradoras locais operando a todo vapor.  Um movimento está sendo organizado para se comprovar a importância da gruta e transformar a região em parque. Se isto for realizado, não somente a Caverna Paraíso, mas outras que possam existir nas proximidades terão uma chance de serem preservadas.






terça-feira, 8 de novembro de 2016

Retomados os trabalhos no abismo Los três amigos

Nos dias 5 e 6 de Novembro, 8 espeleólogos do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas estiveram no abismo para reequipar parte da descida vertical. Com mais de 200m de desnível e inúmeras passagens por corda, esta é até hoje a única entrada conhecida para uma vasta rede de grandes galerias, ainda parcialmente exploradas. 

Devido a dificuldade de acesso através do abismo, durante anos as equipes se dedicaram em encontrar entradas alternativas, mas sem sucesso. As cavernas Ribeirãozinho III e João Dias, que representam o sumidouro e a ressurgência do mesmo rio subterrâneo encontrado no abismo, foram detalhadamente verificadas. Escaladas subterrâneas foram realizadas. Tentativas em longos desmoronamentos, desobstrução e passagens submersas também frustraram a conexão deixando como única opção o acesso ao abismo através de sua já conhecida rede de galerias verticais.

Sem mais opções alternativas, o objetivo desta viagem de Novembro foi preparar o abismo para as próximas investidas sem que as equipes de exploradores percam tempo com equipagem. A trilha estava fechada, o que dificultou um pouco encontrar uma entrada de cerca de dois metros em meio a uma densa floresta tropical e íngremes terrenos. A antiga estrada que aproximava o trator do início da trilha, sem manutenção, não pôde ser utilizada e a equipe fez todo percurso a pé, abrindo uma trilha por cerca de 2h.

Parabolts, chapeletas maiores, novas cordas e mosquetões foram instalados até a base do rappel para um grande salão que dá acesso a galeria de rio e outras galerias fósseis. Outras viagens deverão acontecer em Dezembro e em 2017, ano que será dedicado as explorações e mapeamento desta caverna que representa um dos últimos grandes desafios subterrâneos de São Paulo.

Recepção sempre simpática dos cachorros locais
Maravilhosa hospitalidade da mãe do Zé Guapiara 

Café e histórias
Pai do Zé Guapiara, povo simples, verdadeiro e hospitaleiro
Com a vinda das chuvas, a estrada de Bulha já está bastante escorregadia
Encontramos um bom uso para orelhas furadas
Dez anos se passaram da descoberta do abismo e o Brandi continua preferindo não usar macacão

Tentativa frustrada de conexão com o abismo através de escalada na Robeirãozinho III, realizada em 2015
Uma das cordas antigas do abismo substituída por uma nova
Visitante noturno debaixo do colchão

Vem pra foto, gente! Vem!
Agora sim, equipe reunida!

sábado, 15 de outubro de 2016

Espeleologia contemporânea na Eslovênia

Por Rafael Camargo
Morando em Berlim há mais de três anos, tenho ido para caverna bem pouco. A geologia de Berlim e região é composta apenas de depósitos de areia e cascalho das últimas glaciações, nada de carste por aqui. As cavernas mais próximas estão na região da Saxônia Suíça (Sächsische Schweiz), próximo à Dresden, mas em arenito e em geral pequenas. Ou nas Montanhas Harz, em uma região cárstica pequena, mas muito interessante. No entanto, os espeleólogos de lá não fazem muito mais explorações, fazem basicamente monitoramento, legal, mas não exatamente o que eu mais gosto.
Explorações de verdade na Alemanha são nos Alpes, perto da divisa com a Áustria. Mas se é para ir para o sul da Alemanha, então dá para ir para Eslovênia, ainda melhor! O país é sempre mencionado pelo carste clássico e longa tradição em espeleologia, mas isso não para por aí. Mesmo estando em um território pequeno (menor em área que o estado do Sergipe), espeleólogos continuam fazendo grandes descobertas. Somente em uma região, em Kanin por exemplo, há sete cavernas mais profundas que -1000m. Uma delas, o sistema BC4 – Mala Boka, é uma travessia de mais de 8km e -1300m de desnível. No mês de agosto, a convite de Matt Covington e Matic Di Batista, tive a oportunidade de participar em duas expedições com o grupo espeleológico DZRJL de Ljubljana e pude presenciar como eles organizam a bagunça deles.
Primeiramente, para ter permissão de ir para caverna (se tornar um espeleólogo) na Eslovênia é preciso frequentar um curso de formação teórico-prático e passar em um exame prático ao final. Os cursos são ministrados pelos grupos de espeleologia, são em média de dois meses de duração com encontros a noite durante a semana e saídas de campo nos finais de semana. No caso de estrangeiros, precisamos comprovar experiência em técnicas verticais, noções básicas de conservação de ambientes cavernícolas, bem como ser associado à alguma instituição de espeleologia reconhecida internacionalmente ou afiliada da UIS. Para nós brasileiros, ser filiados à SBE ou à algum grupo filiado é o suficiente. – Inclusive, obrigado Marcelo Rasteiro, presidente da SBE, pela carta de referência – Então depois de passar no exame final do curso ou comprovar experiência, um certificado é emitido pela Secretaria de Meio Ambiente da Eslovênia atestando que a pessoa tem treinamento adequado para praticar espeleologia de forma autônoma. Este procedimento é provavelmente o que tem garantido explorações de alto nível técnico e sem acidentes. O DZRJL de Ljubljana, por exemplo, tem mais de 100 anos de atividades (foi fundado em 1910) e até hoje nunca teve nenhum acidente sério.
Panorâmica do platô do Monte Kanin
A primeira expedição que participei foi no platô do Monte Kanin (2587m), nos Alpes Julianos, divisa entre Eslovênia e Itália. O DZRJL organiza no mínimo uma grande expedição por ano nesta área, geralmente em julho/agosto, no verão europeu. Desde 1956 eles têm um local para acampamento base à aproximadamente 2000m onde um abrigo de paredes de pedra e cobertura de lona é montado. O abrigo serve como cozinha comunitária e local de convivência onde todos se reúnem durante café da manhã e jantar e também para se proteger das fortes tempestades. É impressionante a quantidade de equipamentos que eles têm lá em cima na montanha. Algumas coisas ficam lá mesmo, estocadas em uma pequena caverna, mas na maioria das vezes eles têm apoio de um helicóptero do exército transportando muita coisa, inclusive caixas e caixas de cerveja, bastante o suficiente para todos ficarem bêbado quase todas as noites e ainda deixar algumas estocadas para o próximo ano. Mas é claro que cada um sobe com com sua mochila de aproximadamente 30kg, carregando barraca, saco de dormir, equipamentos individuais e um pouco do coletivo, além de comida e alguma bebida, é claro. Eu levei uma cachaça mineira, evaporou em meia hora.
Trilha para o acampamento (1000m em ganho de altitude +30 kg)
Aproveitando o sol para secar um pouco os equipamentos
Este ano os trabalhos se concentraram basicamente na continuação das explorações e mapeamentos de duas cavernas já conhecidas, Surouka e P4, e em prospecção na superfície. Surouka tinha em torno de 2km mapeados e -350m de desnível. Este ano foram mapeados mais algumas centenas de metros de labirintos freáticos nos níveis superiores e aproximadamente -50m de desnível no fundo até atingir um sifão. No entanto, a equipe identificou que o fluxo de ar continua por outra passagem e trabalhos podem continuar nas próximas expedições. P4 estava em -470m de desnível e depois de dois dias de desobstruções teve mais uma série de abismos mapeados até atingir o desnível de -650m onde há várias possibilidades de continuação. Na superfície, a prospecção também foi recompensadora, resultou principalmente na (re)descoberta de uma caverna que estava marcada como inacessível/preenchida de neve por trabalhos anteriores, mas que neste ano estava sem neve alguma. Aquecimento global tem suas vantagens, não?! Foi necessário desobstruir um pouco a entrada, mas depois a caverna (TA1) foi mapeada até -200m de desnível, até a equipe ficar sem cordas para continuar. 
Quando menciono desobstruções (digging) isso significa trabalho duro, movendo quantidade significativa de material, alargando passagens onde não era possível passar nem mesmo os mais magros e contorcionistas, mas que é esperado uma continuação por causa do fluxo de ar. Quem conhece o Buraco da Sopradeira em São Desidério-BA, sabe do que estou falando. Porém, tais avanços não seriam possíveis sem as gambiarras feitas nas furadeiras e baterias e principalmente sem “cepivo”, o terceiro membro. Acima de tudo é preciso ter criatividade e persistência, com certeza.
Equipamento básico para exploração de cavernas na Eslovênia

É importante mencionar também o belo trabalho em grupo. Equipes se revezam entre dias pesados no fundo das cavernas e dias mais tranquilos na superfície para descanso ou transportando centenas e centenas de metros de corda e ancoragens para as cavernas. No entanto, não há coordenação alguma, cada um decide por si próprio em qual equipe se sente bem em se juntar naquele dia, mas no final todos se ajudam. Inclusive os membros mais de idade, que já diminuíram um pouco o ritmo, continuam contribuindo de outras formas. Transportam suprimentos, consertam alguma coisa, mantêm diários de campo ou apenas tomam cerveja e compartilham suas experiências com os mais jovens. Este é um aspecto muito interessante por sinal. Mas para falar a verdade, alguns caras de 60-70 que conheci lá são ainda caverneiros hard core. O DZRJL tem por volta de 25 membros MUITO ativos (vão para caverna quase todo final de semana), mas de forma geral são 100 membros ativos, variando entre 18 e 70 anos e eles continuam se renovando (graças ao curso anual de formação), fato não muito comum em outros países de forma geral, onde a comunidade espeleológica vem apenas envelhecendo e pendurando a carbureteira.
Local de reunião do grupo todas as noites

Depois da expedição de uma semana e meia em Kanin foi necessário passar um dia em Ljubljana para compra de suprimentos e reorganização dos equipamentos na sede do DZRJL (que fica em um bunker – antigo abrigo da 2a Guerra Mundial). Falando em equipamentos para as expedições, é impressionante a quantidade de equipamentos do grupo. Bobinas e bobinas de corda, caixas e caixas de ancoragens e mosquetões, furadeiras, geradores, utensílios para os acampamentos base e os de dentro das cavernas profundas. Sem falar que eles emprestam equipamento individual (SRT kit, capacete e iluminação) por até um ano para os recém formados do curso todo ano. Incentivo essencial para iniciantes que são estudantes na maioria das vezes.
É claro que a contribuição dos membros (30 euros por ano) não é o suficiente para manter a quantidade de equipamentos que eles precisam para as explorações, que são essencialmente verticais e demandam muito equipamento. Na Eslovênia há um tipo de recompensa financeira para os grupos espeleológicos que divulgam seus dados espeleométricos, em forma de relatório anual para a Secretaria de Meio Ambiente, onde eles mantêm um banco de dados nacional. Quanto mais metros mapeados (documentados e reportados), mais dinheiro para o grupo. O DZRJL, por exemplo, recebe cerca de 6 mil euros por ano.
Acampamento base do DZRJL no platô do Monte Kanin. Foto: Domagoj Korais
Equipamentos necessários todos reunidos, seguimos para a outra expedição, no platô de Pokljuka, nas proximidades do famoso monte Viševnik, no Parque Nacional Triglav. Os trabalhos nesta área começaram só em 2010 quando Matt Covington, um americano que fazia pós-doutorado no Instituto do Carste ZRC em Postojna, encontrou a primeira possível entrada de caverna. Era apenas ar soprando entre alguns blocos, talvez nem poderia ser chamado de buraco (blowing hole). Prospecção em carste alpino é um pouco peculiar. A melhor época é no inverno, quando as montanhas estão cobertas de neve e as entradas são mais fáceis de serem identificadas uma vez que o ar relativamente quente de dentro das cavernas sopra (para fora) e derrete a neve na entrada, que então se distingue na paisagem. No verão o trabalho seria verificando fissura por fissura, sem saber ao certo se há potencial ou não. Mas é depois de identificar os blowing holes que o trabalho pesado começa. Na maioria das vezes eles não são acessíveis, o ar passa entre as fissuras e blocos, mas muito trabalho é necessário desobstruindo as entradas. Euclides, a primeira caverna encontrada em Pokljuka, por exemplo, precisou de cinco saídas de final de semana, grupo de 4 a 8 pessoas, revezando na escavação e passando blocos de mão em mão até conseguir realmente acessar a caverna que hoje tem cerca de 2km e -430m de desnível. Mas é claro que foi necessária muita desobstrução em vários outros trechos da caverna, não somente na entrada.
Pausa durante exploração (escalada) em Trubar
A expedição em Pokljuka continuou principalmente com explorações nas três principais cavernas da área: Euclides, Platon (2km, -575m) e Trubar (5km, -610m), que provavelmente fazem parte do mesmo sistema. As conexões estão muito próximas de acontecer (Platon e Trubar estão cerca de 20m distância horizontal ou 100m vertical), mas ao mesmo tempo muito distantes por causa da dificuldade das explorações. Em Trubar, por exemplo, ficamos acampados a -560m para depois continuar as explorações em busca da conexão com Platon, mas a exploração é na verdade fazendo escalada em rocha. Explorações anteriores já tinham escalado +300m a partir do Camp -560m e nesta expedição escalamos mais +100m. No final daquele dia estávamos mais perto da superfície do que do Camp, mas tínhamos que descer os 400m e depois no outro dia jumariar os 560m, sem falar dos estreitos e doloridos meandros.

No final das três semanas na Eslovênia era hora de voltar para casa. A experiência foi fantástica. As cavernadas mesmo que difíceis, molhadas e geladas, valeram muito a pena. Apesar de ter levado a tralha toda de fotografia não tive oportunidade de fotografar as cavernas, o foco era exploração e mapeamento e o ritmo foi intenso o tempo todo. Mas algumas fotos do acampamento e da paisagem dá para ter uma ideia. Os Eslovenos são super receptivos e animados para beber. Tanto é que meu presente de despedida foi uma garrafa de schnapps, aguardente de frutas, um típico em cada região da Eslovênia, além do convite para voltar. Quem se anima?
Acampamento base do DZRJL no platô do Monte Kanin

Espeleo-cowboy

Pico do Monte Kanin

Lado italiano do Monte Kanin

Acampamento de outro grupo, também no platô do Monte Kanin

Visita ao acampamento vizinho para troca de informação e degustação de vinho

Dia de chuva no acampamento em Pokljuka

Prospecção em Pokljuka

Cozinha e sala de estar no acampamento

Trubar_profile: Perfil da topografia de Trubar. Final da exploração em Agosto/2016 está à poucas dezenas de metros de Platon