“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

domingo, 17 de julho de 2016

Expedição fotográfica percorre as principais cavernas brasileiras

O projeto Luzes na Escuridão está percorrendo cerca de 4.000km pelo Brasil para registrar em imagens as mais belas cavernas do território nacional. A viagem conta com fotógrafos de diferentes países e alguns dos nomes mais consagrados em fotografia subterrânea. Cerca de 18 espeleólogos entre italianos, ingleses, americanos franceses e brasileiros estão registrando mais de 20 cavernas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia.


A viagem dará origem a um livro inédito no Brasil, com uma coletânea de talentos trazendo à luz as belezas mais escondidas do país.












quinta-feira, 23 de junho de 2016

Manejo de caverna em Eneabba, Western Australia

Retornamos à Eneabba no dia 18 de junho de 2016, para uma visita de um dia à uma gruta para analisar seu manejo.

Com três membros do Western Australia Speleological Group (WASG) e um Ranger do Departamento de Parks and Wild Life. O objetivo foi o de analisar o caminhamento interno, áreas vulneráveis à visitação e medir a entrada para a colocação de um portão para sua conservação. Em cavernas com conjunto de espeleotemas vulneráveis, fósseis etc, o fechamento como precaução contra a depredação é considerado uma alternativa.

É interessante notar a preocupação dos espeleólogos da Austrália com a conservação das cavernas desde a primeira exploração e posteriormente com os trabalhos subsequentes. No início são definidos um caminhamento e as áreas a serem evitadas (vulneráveis ou de risco para o visitante). Todas as saídas são limitadas a 6 ou 4 integrantes, quando a caverna é mais vulnerável ou há passagens mais demoradas como cordas ou muitos quebra-corpos e todos respeitam as regras.   

Esta caverna foi descoberta há poucos anos durante uma prospecção que identificou um soprador entre blocos e teve a entrada de cerca de 50x50 cm desobstruída. Após um abismo de cerca de 10m dá acesso à caverna que se desenvolve por aproximadamente 800 m. Com salões amplos e trechos com desníveis de cerca de 15m na porção central e uma sequência de tetos-baixos em rocha muito friável até um desmoronamento intransponível no trecho final.

A caverna se destaca das demais conhecidas na região pelos conjuntos de espeleotemas e por estar praticamente em estado natural, com visita de pouco mais de 20 espeleólogos até então, segundo o pessoal do WASG. Canudos de mais de 4 m, estalactites e estalagmites com coloração bege / amarelada, represa de travertino com cristais e pequenos lagos com jangadas compõe a decoração da caverna.

Esta caverna abre uma animadora possibilidade de existência de outras na região, porém a prospecção é difícil devido a vegetação fechada e cheia de espinhos (bush) e a inexistência de feições superficiais que denunciem as entradas. O pessoal aqui costuma aproveitar as queimadas, naturais nesta vegetação, para procurar cavernas.































sexta-feira, 17 de junho de 2016

Cavernas em Eneabba, Western Australia

Entre os dias 10 e 12 de junho deste ano visitei algumas cavernas da região de Eneabba e Jurien Bay no Parque Nacional Stockyard Gully, localizada a cerca de 280 km ao norte de Perth, capital de Western Australia. Após pouco mais de um ano na Australia, e agora oficialmente membro do Western Australian Speleological Group (WASG) e da Australian Speleological Federation (ASF), foi minha primeira cavernada.

Com mais seis colegas do WASG, acampamos numa noite estrelada e muito fria ao lado do lago Indoon, um dos muitos da região, e próximo das cavernas. E despertamos num dia claro, e frio, e pegamos a péssima estrada até as cavernas. Há poucas feições superficiais, o relevo é de leve ondulação sem drenagens superficiais, com vegetação predominantemente arbustiva sobre solo arenoso (aqui chamada de bush), pequenos afloramentos de um calcário recente, quase branco e bastante friável.

As entradas das cavernas são na maioria abatimentos formando dolinas e abismos e pequenos cannions remanescentes de cavernas. Ainda estou conhecendo a região e procurando compreender padrões, gênese, morfologia etc. A mais interessante das visitadas é Aiyennu Cave. A entrada por um abismo de cerca de 20m dá acesso a um grande salão iluminado por diversas aberturas no teto da caverna, neste trecho com cerca de 1m de espessura apenas.


WASG - wasg.org.au
ASF - caves.org.au   


Marcos