“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

terça-feira, 17 de maio de 2016

Espeleologia brasileira perde um de seus maiores espeleólogos


JJ em sua casa em Março de 2016.
Mesmo com saúde debilitada, Joaquim continuou
trabalhando no Parque até os últimos dias de sua vida.
Ontem a espeleologia brasileira perdeu um pouco de sua história: Joaquim Justino. Caboclo bom, espeleólogo, homem forte, simpático, honesto, batalhador, guia mais antigo da região. JJ fez parte do PETAR e sempre será lembrado pelo bem que fez a todos que cruzaram seu caminho. Grande descobridor de cavernas, conhecia os segredos da região como ninguém. 

JJ como era conhecido, nasceu em 1938 em Iporanga, de família remanescente de quilombos, viveu sua vida toda no Vale do Ribeira e não há um só espeleólogo que tenha passado pela região e não tenha o conhecido, escutado suas histórias e seguido seus conselhos. De Michel Le Bret aos grupos de espeleologia atuais. Todos o respeitavam, o seguiam e o  admiravam.

Não sabemos quantas dicas de cavernas Joaquim nos deu. Foram muitas. Quantas histórias e causos nos contou. Relatos que nos faziam sonhar e nos inspiravam para adentrar nas montanhas da região atrás de suas descobertas. Quantas risadas, piadas e contos nos envolveu. Joaquim era aquele tipo de gente boa de conversar, que fazia o tempo passar sem ninguém perceber. Entendia de tudo, falava sempre com sabedoria, lucidez e equilíbrio. Ria a vontade e levava todos com sua alegria.

Nos sentimos triste com a perda, mas entendemos que nada dura para sempre e as pessoas, todas, um dia nos deixarão. Joaquim Justino deixa o campo da vida física e passa a habitar nas nossas lembranças e no sopro frio de todas as cavernas do PETAR.

Arte retirada do livro "Memórias de JJ, Um Caboclo Espeleólogo", 2010,
Editora All Print, escrito por Cristina de Albuquerque

3 comentários:

Anônimo disse...

Que bela homenagem!!! Sr. JJ uma pessoa mt querida... tenho boas lembrança dele!!! meus sentimentos!

Marcia Rocha disse...

Lamento essa perda mas com certeza sei que muitos como eu se sentem gratos por ter conhecido esse grande homem. Lembro com carinho das muitas idas as cavernas do núcleo Santana e que o Joaquim (JJ) sempre muito respeitado estava sempre por la no parque e no Bairro da Serra.

Vitor Caetano Alves disse...

Que luz do seu conhecimento ilumine os nossos passos no mundo subterrâneo! Axé JJ! Muito obrigado!