“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Novas possibilidades nas cavernas Ribeirãozinho III e Jerivazal

Bulha D'água - final de semana de 19 e 20 de Setembro de2015
Texto: adaptado de Thomaz (VL) e Brandi
Participaram: Brandi, Fabio, Vagalume, Borboleta, Zé  Guapiara, Menin e seus três Meninin do Grupo Garantia de Espeleo Obcena (GGEO): Tom, Bia e Lucas (Rejeito). 

No ensolarado sábado 19/09 chegamos no Zé, subimos no trator e fomos pro refúgio. De lá partimos pra trilha da Ribeirãozinho III, a qual em condições melhores do que o esperado (porque havíamos aberto a trilha na última viagem!). O calor, mesmo dentro da mata, estava forte, mas no caminho pudemos nos refrescar com água fresca de bambu e na gruta passamos frio, como sempre.

Uma vez na Ribeirãozinho, fomos procurar um dos pontos onde achávamos ter uma boa possibilidade de encontrar alguma galeria superior ao desmoronamento no final da caverna. Procurando o ponto de escalada, acabamos explorando passagens ainda não topografadas. Uma passagem apertada e entre blocos instáveis deu acesso a continuações em várias direções. Um dos caminhos seguia subindo junto à parede da gruta, mas não se desenvolveu por muito, ficando estreito demais. Do outro lado, as possibilidades aumentaram e blocos maiores formaram salões e passagens mais amplas. Resolvemos topografar o caminho do rio até este salão, deixando para explorar melhor as passagens em uma próxima viagem. Foi encontrado neste local um abismo com cerca de 10m livres, 25m acima do nível do rio. Esta galeria entre blocos leva a região oposta da galeria do rio (margem direita) e pode representar uma possibilidade interessante de desenvolvimento da caverna.

Para uma próxima viagem, existem duas boas opções: uma galeria a 30 metros de altura do rio (acessada somente através de escalada) e as continuações em meio ao abatimento (descrita acima).

Na manhã nublada de domingo, fomos topografar a gruta Jerivazal, parcialmente explorada mas sem topo. Enquanto uma equipe seguiu a topografia, os outros integrantes foram bater morro acima nos blocos visíveis. Eram muitas entradas apertadas, todas seguindo para baixo. Uma pequena cavidade sem continuação, e outra com um desnível -86 de uns 6 metros inexplorada. A topo da gruta revelou um salão superior com desmoronamentos e continuação para cima, provavelmente ligando com o desnível superior encontrado. Também ficou pra próxima.

A Jerivazal é uma surpresa, sempre foi desprezada pela sua nada convidativa entrada, entre blocos, teto baixo e rastejando pelo rio gelado... Mas abriram-se algumas possibilidades atrativas. Vale o esforço de insistir uma vez que o rio Jerivazal se conecta a Buenos I a quase 700 metros de distancia pela superfície. A parte ruim e que a gruta corre no contato e por baixo de um canion com diversos abatimentos. Mas gruta é gruta e quem é velho de guerra sabe que a surpresa pode estar escondida atrás de uma tênue sombra ou uma pedra a se deslocar....


Na trilha de volta sol, jararaca e banho de rio nos macacões.










quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Novo video da expedição Bambuí e La Venta na Serra do Aracá


Em Julho de 2015 uma expedição do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, em parceria com o grupo italiano La Venta de Explorazione Geographique, esteve no alto da Serra do Aracá, no norte do estado do Amazonas.

A Serra do Aracá é considerada um Tepui (grande massisso de Quartzito em forma de mesa), mais frequentes na Venezuela, como o mais popular Monte Roraima.

9 Espeleólogos, entre eles 5 brasileiros do Bambuí e 4 italianos do La Venta estiveram por uma semana acampados no alto da serra onde puderam explorar e topografar novas cavernas, além de mapear detalhadamente o Abismo Guy Collet, descoberto em 2006 por uma outra expedição.

Além dos mapa e das fotografias, a expedição produziu um material audiovisual que está aos poucos sendo trabalhado e publicado.

Abaixo é possível conferir mais uma video da série, desta vez com mais imagens da viagem nos rios, na selva no alto da serra e da caverna.

Maiores informações sobre a expedição podem ser enconrradas em outras postagens neste mesmo site ou no site do La Venta.