"E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que me fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estudos na Caverna Paraíso publicados na revista Nature

Há 10 anos estivemos na Caverna Paraíso, localizada no meio da mata Amazônica, no estado do Pará. Além da exploração, o objetivo da viagem era continuar o mapeamento iniciado em uma ocasião anterior e realizar coletas científicas para estudo de paleoclima, estudos que mapeiam o clima da terra em diferentes regiões através de registros deixados no crescimento de estalagmites. Quanto mais rápido o crescimento da formação, mais húmido foi o período registrado. Como a Amazônia não conta ainda com muitas cavernas de calcário conhecidas, as amostras coletadas na Caverna Paraíso serviriam como uma das principais fontes de informação da região. Os geólogos Francisco William da Cruz Junior (Chico Bill), do Instituto de Geociências da USP e Augusto Auler, do Instituto do Carste organizaram a expedição e o estudo das amostras.


Dez anos se passaram e os resultados estão agora se tornando públicos. Um artigo recém publicado na mais importante revista científica do mundo, a Nature, está dando grande visibilidade às pesquisas. Segundo a matéria, a Amazônia passou, nos últimos 45mil anos, por grandes variações climáticas alternando épocas de muita umidade com épocas de menos chuva. De acordo com os resultados, durante a última glaciação – cerca de 21 mil anos atrás – o leste da Amazônia era bem menos úmido do que hoje, com aproximadamente 58% da chuva dos tempos atuais. Mais recentemente, cerca de 6 mil anos atrás, o estudo detectou um período de grande umidade, com 42% mais chuva do que nos dias de hoje (Revista FAPESP, 2017).





A Caverna Paraíso tem grande variação de fauna e também uma rica colação de formações. Apesar de ser hoje a maior caverna em Calcário conhecida na Amazônia, com cerca de 3km de desenvolvimento, é constantemente ameaçada por estar localizada próximo à lavras em plena atividade. Durante as expedições na região, cruzamos constantemente com caminhões de mineradoras locais operando a todo vapor.  Um movimento está sendo organizado para se comprovar a importância da gruta e transformar a região em parque. Se isto for realizado, não somente a Caverna Paraíso, mas outras que possam existir nas proximidades terão uma chance de serem preservadas.






quinta-feira, 17 de julho de 2014

Denúncia de espeleólogos e ação rápida do governo protege caverna de destruição

Uma denúncia realizada por espeleólogos no dia 16 de Abril de 2014 resultou em uma rápida ação dos órgãos ambientais de Santa Catarina em defesa da Gruta do Cinema, localizada na região de Botuverá e Vidal Ramos, Centro Leste de Santa Catarina.

No início de Abril, o grupo de espeleólgos esteve na região para realizar o remapeamento da caverna, topografada inicialmente na década de 80 pelo grupo de espeleologia  GEEP-Açungui do Paraná. Com desenvolvimento estimado em 250m, e litologia em mármore, a Gruta do Cinema é a segunda maior caverna registrada no Estado de Santa Catarina - atrás apenas da Gruta de Botuverá.

Mas ao chegar no local da gruta, os espeleólogos se depararam com um informações de que uma lavra havia se estabelecido no local e a caverna estava sendo destruída.
  
“Para nossa surpresa, ao chegarmos à região, fomos informados que as entradas da caverna haviam sido soterradas, e que uma mineradora local já tinha iniciado a destruição do maciço”, conta um dos espeleólogos. 

Ao chegar até a localização da caverna, o grupo pôde certificar-se de que realmente as duas entradas da caverna estavam completamente obstruídas por terra e entulho, além de outros impactos importantes: 

“Verificamos que havia uma lavra iniciada em cima da caverna. Em toda a volta do maciço observamos perfurações realizadas para a colocação de dinamite”.

Ao se deparar com o cenário de destruição, o grupo documentou o encontrado e encaminhou denúncia ao FATMA, Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina, com cópia para o Ministério Público de Santa Catarina, para o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas - CECAV/ICMBio e para a Superintendência do Ibama em Santa Catarina.

Menos de 2 meses depois, foi emitido o Laudo de Vistoria  N. 024/2014 da Superintendência do Ibama de Santa Catarina, com uma explicação detalhada da importância do local e dos impactos ocasionados pela Calwer Mineração Ltda. A mineradora foi autuada em R$189.000,00 (R$ 180.000,00 por deteriorar a caverna,  R$ 4.000 por destruir abrigo de animais silvestres, R$ 5.000,00 por danificar área de Preservação Permanente (150 m2). Uma área de 2 hectares no entorno da caverna foi embargada e para terminar, o órgão sugere como medida imediata a reabertura das entradas originais da caverna e recuperação da área degradada.

A legislação brasileira* prevê intervenções físicas em cavernas mediante estudos prévios de relevância e impacto ambiental realizados por especialistas de diferentes áreas relacionadas. Espeleometria, biologia, geologia, paleontologia, arqueologia, entre outras, são ciências que ajudam órgãos ambientais a emitirem licença de uso dos recursos naturais em regiões com incidência de grutas. Ignorar ou negligenciar estes estudos – como no caso da mineradora em questão – coloca em risco o empreendimento, além de sujeitar a empresa a embargos e multas e de exultar em destruição de bens naturais incalculáveis.

A ação conjunta e sincronizada dos órgãos ambientais foi exemplar, tomando rápidas medidas para mitigar e reverter a destruição da caverna. A comunidade espeleológica brasileira agradece o comprometimento e eficácia do FATMA, IBAMA-SC e CECAV-ICMBio e felicita os espeleólogos envolvidos nesta ação.


* Decreto 6640/08, regulamentado pela Instrução Normativa MMA 02/2009







quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desejo de matar


Tool, o deformado Mickey Rourke de Sin City e 9 1/2 Semanas de Amor, é brutalmente assassinado e  seus companheiros prometem vingança e de quebra salvar a humanidade de um cruel ditador
Este original enredo é a desculpa para reunir um bando de caras-de-mau-em-fim-de-carreira em mais um caça níqueis cinematográfico, quem sabe a turma* mais barra pesada do cinema pós Charles Bronson e seu eterno desejo de matar.

Considerada um dos mais importantes habitats naturais para morcegos na Europa, a Caverna Devetashka foi cenário para as gravações do filme Mercenários 2 e segundo o centro de proteção e estudos de morcegos da Bulgária, diversos morcegos foram encontrados mortos após as filmagens e sua população teria sido reduzida a 1/4, de 30.000 para 8.000. 


Realizada durante o período de hibernação dos morcegos as filmagens teriam violado leis de proteção ambiental e causado diversos problemas ao meio ambiente da caverna e entorno com cortes de vegetação, ruídos e distúrbios pela presença de um grande número de pessoas e equipamentos.

Em troca de um valor irrisório a permissão teria sido dada por um órgão ambiental local sem poder para tal e sem a autorização do órgão Europeu de Conservação de Morcegos. 

foto: Nikola Grancharov/Wikimedia

Durante o Curso Internacional de Impactos Ambientais e Manejo em Carste e Cavernas, em Belo Horizonte, George Veni citou o filme e solicitou que façamos protestos contra ele pelos impactos causado à Caverna e sua fauna. Mesmo sem provavelmente afetar a sua bilheteria deveríamos fazer nossa parte recusando-nos a assistir e incentivando que outros o fizessem em protesto ao impacto e pouco caso da produção do filme em relação à caverna.

*Sylvester Stallone, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Chuck Norris, Jean-Claude Van Damme, Dolph Lundgren, Jet Li entre outros


Para saber mais: 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Você assina a revista O Carste?

Há 22 anos, o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas publica a revista O Carste. 
A publicação acontece três vezes ao ano (nos meses de abrilagosto e dezembro) e além do Brasil, O Carste também é distribuído em outros países da América do Sul, Norte e Europa. 

A anuidade custa somente R$ 30,00 (valor que pode variar para outros países)

O Carste reúne sempre um rico conteúdo técnico, científico, histórico ou mesmo bons relatos de expedições, explorações e aventuras subterrâneas.

Se você é amante das cavernas ou mesmo simpatizante de atividades como esta não pode deixar de ler O Carste.

Para assinar entre em contato com fredlott@gmail.com ou azuias@yahoo.com.br


maiores infos em: www.bambui.org.br

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Outros Assuntos: Os "Exterminadores do Futuro", não é espeleo, mas vale a pena se ligar...

A campanha “Os Exterminadores do Futuro”, lançada pela Fundação SOS Mata Atlântica, contará com a ajuda da população para identificar os políticos que desrespeitam o meio ambiente no Brasil. 

Os nomes apontados serão divulgados em uma lista, antes das eleições de 2010, para ajudar os cidadãos a votarem de forma mais consciente.A lista com os nomes será divulgada no evento Viva a Mata, no Ibirapuera, nos dias
21, 22 e 23 de maio.






http://www.sosma.org.br/exterminadores/fazer.php



Ajudem a divulgar para que esses políticos não sejam reeleitos!!