“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

sábado, 8 de novembro de 2008

DESCOBERTA DO SIFÃO DO RALO - PROCAD II (Caverna do Diabo – 01.05.98)

Já eram mais de 20h quando nos separamos do grupo do Roberto / Beroaldo no Salão “Gigantes Caídos”. O Beroaldo ficou nos passando as informações necessárias para começarmos a topografia.

O objetivo inicial de topografar o Salão Philippe foi alterado devido ao avançado horário, precisaríamos de pelo menos 6h de topografia e contávamos com menos de 3h.

O Beroaldo nos deu as indicações de um salão superior, mas que também ficaria para uma próxima investida e do “Y” no nível do rio, que faríamos naquela noite.

Segundo ele uma das pernas do “Y” terminava num pequeno lago, pouco adiante. Decidimos começar a topo do final da galeria para o “Delta”.
Fomos caminhando até o final da galeria e nos arrastamos por um quebra-corpo, tendo o grande desmoronamento dos Gigantes Caídos a nossa direita. Chegamos a uma galeria pequena e com mais um lago. O lago continuava e tendia à esquerda saindo do eixo da galeria dos Gigantes Caídos.

A medida que avançávamos aumentavam as dimensões do lago. Passando por um teto baixo (40cm + ou -) chegamos ao maior salão de aproximadamente 20m de comprimento uns 7m de largura e 3 de altura (a partir da água) e uma profundidade maior que 2 metros (não fui até o fundo do salão pois nos parecia um sifão).

Não havia circulação de ar e a água nos pareceu parada também. Até uns 7 metros antes da parede final do salão há bastante areia no chão, mas a medida que vai se avançando ao final dele, o chão vai se inclinando de todos os lados para o centro (parecendo um ralo), o que nos causa a impressão de que ele quer nos puxar para si, e sem depósitos sedimentares (só pedra), ficando difícil de se manter em pé.

Tivemos a impressão de que o lago tem uma comunicação com outra galeria e que quando há uma inundação neste a água circula para o outro lado. Talvez valesse a pena uma exploração através de mergulho.

Percebemos a marca de inundações nas paredes, a água atinge facilmente o teto da galeria. Explorei uma pequena chaminé na entrada do lago mas não subi mais que 2 metros. O Chico deu uma olhada no lado do desmoronamento junto com o Renato, mas não avançou por entre os blocos. Ao todo a nova galeria deve acrescentar uns 50m à Caverna.
Começamos a topo do fundo do lago para o delta, como combinado anteriormente. Na 4ª visada demos uma olhada no relógio e já eram 22:30, estávamos em cima da hora para sairmos.
Por esse motivo abortamos a topografia, usamos o pouco tempo que tínhamos com a exploração da descoberta. Arrumamos nossas coisas e saímos correndo, já eram 23h. Havíamos combinado de voltar no dia seguinte, mas não conseguimos prosseguir com os trabalhos.

Equipe:

Francisco José Sarpa Lima - equipamentos
Renato Moreira Cavalcante – ponta de trena
Rosângela Rodrigues de Oliveira - anotações
Marcos Otavio Silverio - croquis

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