“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

terça-feira, 20 de julho de 2010

Abismo Los três amigos


Demorou, mas voltamos ao Abismo Los Três Amigos. No último final de semana, dia 17 de julho, Brandi, Cesinha, Ezio e eu caímos na estrada rumo à Guapiara.

Fazia frio e chovia o bastante para nos preocuparmos com o rio na caverna, uma enchurrada poderia causar muita confusão.

Da entrada do abismo soprava um vento forte e quente e logo, literalmente, escorregávamos para dentro pelas cordas enlameadas. 

Não demorou para eu descobrir o por quê do voo livre, realmente impressiona o vazio negro à frente. Descer no meio do salão com as paredes a dezenas de metros e os pequenos pontos de luz dos outros lá embaixo não nos deixam sossegado.

Chegamos ao ponto em que a equipe anterior havia parado por falta de corda. Descemos e continuamos pela galeria do rio sem dificuldades, apesar da correnteza que nos fazia lembrar da chuva a todo momento. Parecia que a conexão com a Ribeirãozinho III era questão de tempo. Até que um desmoronamento acabou com a nossa animação.

Faltou explorar uma promissora galeria superior, que deve, ao menos, nos premiar com boas descobertas e quem sabe até nos levar ao outro lado. Como tudo na região, nada vem fácil e ainda teremos de encarar o abismo algumas vezes até conseguir encontrar outro provável acesso.

A volta foi sofrida, não bastasse o cansaço da semana de trabalho acumulado ainda tinha de brigar com meu equipamento desregulado e minha maldita mochila pesada. Fora a lama acumulada nas cordas e equipamentos.

O frio da madrugada estava ainda mais forte e a garoa e o vento só pioravam a volta pela trilha. Não havia o Zé com seu trator para nos levar e o mundo estava torto pro nosso lado, era só subida. A saída foi não pensar no caminho e apertar o passo.

Chegamos perto das 3h da manhã, com o Zé nos esperando, como sempre. A cada minuto uma alegria. Banho quente, roupa quente, comida quente, cama quente.

Não choveu o suficiente para nos atrapalhar, mas percebemos o quanto é perigoso uma enchurrada na galeria do rio. O frio também preocupa, principalmente nos momentos de espera para entrar na corda. Agora é entrar em forma, arrumar a tralha e voltar pra continuar os trabalhos pois a caverna ainda promete muito.



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