“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Curso Internacional de Impactos Ambientais e Manejo em Carste e Cavernas - Dr. 
George Veni

Entre os dias 23 e 27 de novembro de 2011 aconteceu em Belo Horizonte o Curso Internacional de Impactos Ambientais e Manejo em Carste e Cavernas, ministrado pelo Dr. George Veni e organizado pelo Instituto do Carste.

Visita à Gruta da Lapinha


Visita ao lixão de Matozinhos

Doutor em geologia, Diretor Executivo do National Cave and Karst Research Institute dos EUA e com vasta experiência como consultor ambiental e pesquisador, George Veni é um dos maiores especialistas do mundo no tema.

O curso foi dividido em três dias de teoria no auditório do Ibama e dois dias de campo, na região de Lagoa Santa na qual foram visitados, entre outros, o aterro sanitário (na verdade um lixão) da cidade de Matozinhos, uma mineração de calcário desativada, o Parque do Sumidouro, a zona urbana de Lagoa Santa e a Gruta da Lapinha. Com um conteúdo bastante amplo, da geologia à ocupação urbana e ao manejo de áreas cársticas e sempre enfatizando que as áreas cársticas são complexas, composto por diversos elementos interconectados e que não podem ser reduzidas às suas partes em qualquer análise.


mineração desativada


Gruta Rei do Mato

George fez questão de destacar o papel da água nos processos e sua importância para manutenção do equilíbrio do sistema cárstico, além do controle dos fatores de impacto, do uso de recursos, da poluição, da urbanização entre outros. Falou do conceito de manejo, de que manejamos o uso, a atividade e não o recurso, o carste ou a caverna. E que, portanto, devemos adaptar o uso ao recurso e sempre baseados em pesquisa científica e não em nossas crenças pessoais. Ou seja algo que possa ser medido, testado e analisado.

George insistiu bastante em alguns temas e muitas vezes aproveitou os comentários dos participantes para dar seus recados. O primeiro é da educação ambiental. A importância do envolvimento das populações locais, dos visitantes e dos pesquisadores para que as ações dêem certo. E fundamental informar corretamente para que as pessoas conheçam e preservem o patrimônio natural, em especial sobre a sua gênese, morfologia e importância.


dolina na região urbana de Lagoa Santa

 
Parque do Sumidouro

Outro “conselho” do George é de que devemos ter uma postura proativa e propositiva, que apenas reclamar e apontar problemas não resolve. E para finalizar, disse, aos que reclamam do governo, que devemos ter uma postura política crítica para mudanças na legislação de proteção do patrimônio natural. Quem não gosta de políticos não se pode deixar comandar por eles.

Vale destacar a sua simpatia, didática e o empenho em ser extremamente compreensível, inclusive com um inglês sem sinal de sotaques, esforço pessoal em suas palestras pelo mundo. Enfim, uma grande oportunidade de aprendizado e troca de ideias, que continuava nos bares com os amigos de Belo Horizonte, Brasília, São Paulo...

uma das confraternizações em BH

Um agradecimento ao Instituto do Carste e aos patrocinadores pela realização do curso e à Cooperação Técnica entre a SBE, VC e RBMA pelo apoio à participação. Ao Augusto Auler pela ajuda nas traduções e pelas informações durante a parte teórica e no campo. E em especial ao Allan Calux pela hospedagem e amizade. 

Para saber mais:

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