“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 19 de março de 2012

Caverna do Diabo

"Bem que o Marcos disse que seria divertido". Repeti mentalmente essa frase várias vezes durante as atividades do final de semana dos dias 2 e 3 de Março. 
Estávamos ajudando os estudos de campo do Mestrado de nossa amiga Bruna, mas devido a atividade ser em caverna tão ilustre, a ação foi bem além de minhas expectativas.
Entramos pela entrada turística, seguimos por uma bela rede fóssil da caverna para as áreas de coleta de sedimentos. Acessamos diversos lances verticais, escaladas, cordas, desmoronamentos e abismos até chegarmos ao grande conduto do rio. Por ele seguimos transpondo cachoeiras, passagens a nado, desmoronamentos e grandes salões até chegarmos quase no final da gruta. Voltamos no mesmo dia para a entrada turística e deixamos as cordas para serem retiradas no dia seguinte. Estávamos cansados. Na verdade, exaustos. Mas também estávamos felizes da vida por mais um belo dia de espeleologia. Fui dormir e por mais rápido que o sono tenha vindo ainda deu tempo de repetir mais uma vez silenciosamente: "bem que o Marcos disse que seria divertido".



Fotos de Daniel Menin e Marcos Silverio