“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Caverna Paçoca tem seu mapa atualizado

O mapa da Caverna Paçoca, localizada no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira), em SP, passou recentemente por atualizações. Foram inclusas novas fotografias, ajustes de detalhamento no arquivo e aumento da representatividade da caverna.


A Caverna Paçoca tem uma importância histórica devido às atividades de exploração e mapeamento de espeleólogos ilustres (como Michel Le Bret, Pierre Martin, Guy Collet e Joaquin Justino) na Década de 60. Em 1993 passou por mais um mapeamento realizado pelo GEGEO (Grupo de Espeleologia da Geologia). Entre os anos de 2005 e 2010 teve um novo mapeamento, contendo um maior detalhamento e incluindo galerias desconhecidas dos trabalhos anteriores. Em 2010 uma equipe do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas realizou uma escalada subterrânea no extremo noroeste da caverna, sobre a ressurgência de um dos rios, mas não encontrou continuações. A caverna é também importante devido a seus 2 rios, fazendo parte de uma recarga relevante para o aquífero cárstico do Córrego Fundo.


A Caverna Paçoca tem um desnível total de -108m, dos quais 45m compreende a um grande abismo, localizado no conduto principal da caverna. Para transpor é necessário cerca de 75m de corda, equipamentos adequados e experiência em técnicas verticais. Equipes da década de 60 e também 90 tiveram problemas quase se acidentando na caverna (histórias descritas no livro "Brasil Subterrâneo", de Michel Le Bret e também no próprio documento do Projeto Paçoca e arredores - GBPE).

Para a topografia da área mais a Leste das caverna foi necessário a transposição de um sifão, seco apenas alguns dias do ano, nas épocas menos húmidas.

É possível encontrar neste site os relatórios de cada viagem, com fotos e evolução da topografia.

O mapa em alta resolução, bem como todo o histórico das atividades encontra-se no documento "Projeto Paçoca e Arredores - Sistema Córrego Fundo", entregue aos órgãos competentes e disponível para consulta pública mediante solicitação.



(fotos Alexandre Camargo - Iscoti)



(fotos Daniel Menin)







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