“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mapeamento da Caverna Pratinha-Gruta Azul, na Chapada Diamantina, desvenda novos condutos e salões

(texto e fotos: Daniel Menin)

A Caverna Pratinha é um dos principais pontos turísticos da Chapada Diamantina, na Bahia.

Uma iniciativa chamada Caating Sub, em parceria com o grupo de espeleologia Meandros vem, desde 2013, realizando um trabalho sistemático de mapeamento de uma área submersa não explorada e também de galerias secas na caverna.

Além de áreas já conhecidas por espeleólogos e utilizadas para o turismo, a topografia detalhada tem a cada viagem revelado novas passagens, salões e conexões. Entre o final de 2015 e início de 2016, mais uma expedição foi realizada no local aumentando bastante o tamanho da caverna. Áreas alagadas, escaladas, condutos estreitos, passagens superiores e grandes labirintos se unem formando um complexo sistema subterrâneo que compreende a Pratinha e a Gruta Azul como sendo uma mesma caverna.

O sistema Pratinha-Gruta Azul foi descoberto na década de 80 por espeleólogos franceses. Logo após a descoberta, uma equipe do Grupo Bambuí esteve no local realizando o mapeamento parcial das cavernas e também conectando-as via mergulho. Em 2009 uma expedição maior esteve no local onde foram mapeados pouco mais de 4km de galerias (Projeção Horizontal), o que colocou a Pratinha entre as 50 maiores cavernas do Brasil.

O novo mapeamento vem aplicando uma escala mais detalhada (1:200) e tem coberto diversos condutos deixados em aberto no último mapa. Com isso, os espeleólogos estimam que a caverna pode ultrapassar os 6km de galerias ganhando ainda mais relevância no cenário da espeleologia nacional.

O acesso a Chapada Diamantina, os escassos períodos de trabalho e as próprias dificuldades encontradas na caverna são barreiras que impedem uma conclusão mais rápida da topografia. Entretanto, os espeleólogos esperam ter o mapa concluído até o final de 2016.


O projeto conta ainda com o apoio dos proprietários e administração das terras da Pratinha, do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, do CECAV/ICMBIO, da Prefeitura Municipal de Iraquara, da Prefeitura Municipal de Laje, do Ministério Público do Estado da Bahia, do Governo do Estado da Bahia (SEMA, SETUR e INEMA) e da Sociedade Baiana de Espeleologia.

Salão do "N", área descoberta durante a última expedição
Grande sala desmoronada - vista a partir de conduto superior escalado








Sertanejo típico da região
Não. Não são 2 mendigos nômades. São apenas espeleólogos no último dia de trabalho
Espeleólogos depois de um tapa no visual (falei que não eram mendigos?)
Chapada Diamantina sob incêndio
Croquis e labirinto. Não se sai de um sem o outro.
Escorrimento em sala descoberta durante a expedição
Salão do "N", de novo, durante topografia.
Equipe multitask
Típico fim de tarde na saída da caverna

Amizade, hospitalidade e boa música!

E assim foi nossa festa de reveillon: pacata e com céu estrelado

Nenhum comentário: