“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

terça-feira, 25 de março de 2008

7 de setembro de 2007 - Agenor e a descoberta do Tobogã do Demo

por Daniel Menin

Agenor:
Equipe estava formada por mim (Daniel) pela Renata, pelo Sylvio e pela Erica.
Logo ao entrarmos na caverna fomos até o Lago dos Bichos para averiguar no nível da água. Como trata-se de um sifão este poderia estar baixo o suficiente (ou até mesmo seco) nesta época do ano de poucas chuvas. Ao chegarmos no lago vimos que a água estava bastante baixa mas como nossa intenção não era se molhar completamente resolvemos não entrar na água para tentar a passagem.
Os outros objetivos eram de fechar as pendências deixadas na área próxima à “Sala Corneto”, onde sabíamos que existiam caminhos alternativos até o “Baixão”. Nossa intenção era topografar um destes caminhos e também o “Cotovelo”, um conduto deixado em aberto e que também segue em direção ao “Baixão”. Topografamos cerca de 80m até fecharmos com uma base próximo aos poços no fundo do “Baixão”. Antes de voltarmos para topografar o Cotovelo resolvi averiguar as condições da descida para dos poços e para a minha surpresa vi um conduto de proporções médias, mas o suficiente para não subestimar escondido bem na beira de um dos poços. Resolvi entrar para dar uma olhada. Alguns metros a beira de escorrimentos e uma tímida bifurcação á direita. O caminho á frente terminava em um teto baixo estreito demais para a passagem de um ser humano mas a opção da direita na bifurcação acessava uma espécie de antigo conduto freático em forma de um estreito tobogã que serpenteando descia caverna abaixo. Juntamos toda a equipe e começamos a topografar. Para descer o tobogã foi fácil pois a força da gravidade ajudou bastante. Bastou deitar de barriga para cima e ir direcionando a descida com os pés. Logo acessamos uma sala maior e de lá um conduto grande que continuava descendo. Estávamos claramente em uma área de proporções surpreendentes. Como caberia ainda esta parte da caverna no mapa em uma região já tão preenchida? Seguimos topografando até atingir outro salão, este maior ainda. Água! Este conduto continha dunas de lama e um lago. Em uma de sua extremidade estava o fim do salão, obstruído por muita lama. Do outro, o lago continuava até uma estreita curva. Como mais uma vez não quisermos nos molhar deixamos esta passagem em aberto para uma próxima oportunidade.
Pelos nossos cálculos estávamos na parte mais baixa da caverna, no mesmo nível do “Lago dos Bichos”. Aliás, pela direção que havíamos seguido deveríamos estar bem próximo a esse lago senão no próprio lago. Deveremos voltar para nadar e averiguar!Agora era hora de voltar e pagamos todos os pecados do ano para subir o tobogã... dificuldade que nos faz jurar não pagar essa penitência novamente tão cedo e acabou dando nome ao lugar: “tobogã do demo”

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