“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Alguns Absimos no Lageado

Desde a primeira vez em que estive no PETAR me apaixonei pela região do Lageado. Não é a toa que há anos batemos mato naquela área topografando, retopografando e descobrindo várias cavernas. O Projeto Juvenal, de 2001 a 2005 só veio adicionar mais tempero nessa relação. Me aproximei de outros excelentes espeleologos e conheci melhor um dos mais profundos abismos do Brasil.
Mas não é sobre o Juvenal que escrevo a seguir, mas sim sobre algumas cavernas que, durante estes anos, foram encontradas, perdidas, reencontradas, perdidas novamente...
Algumas delas foram cadastradas, outras ficaram somente na referência. Muitas foram realmente mapeadas, outras, ainda estão em mapeamento e ainda outras, talvez nunca cheguem a ser mapeadas.

Com frequencia outras pessoas batem mato e reencontram cavernas já exploradas e mapeadas. Isto é comum e por isto mesmo devemos ter bastante cautela para não reescrevermos uma história já existente. Mas sem dúvida nenhuma, a pior das hipóteses é quando a caverna é descoberta, explorada, mapeada e depois de anos e anos o trabalho simplesmente se perde. E isto acontece ou proque surgem novas tecnologias que deixam os registros anteriores obsoletos ou porque o autor (ou grupo), por descaso acaba perdendo o trabalho em alguma gaveta ou (mais modernamente) pasta esquecida...

Dentro do grupo (GPME), por mais que prezávamos pela topografia imediata, no momento da descoberta ou da exploração de um abismo, por exemplo, nem sempre isto acontece e mapas que poderiam existir ficam para outras ocasiões.

Pois vamos então parar de lero-lero e deixar aqui alguns mapas desta região. Resolvi postar mapas pequenos e que tenho aqui comigo. Acontece que nos últimos anos estivemos bem ativos na região não somente retomando trabalhos antigos mas começando novos e alguns mapas ainda não foram publicados. Por hora, coloco abaixo mapas de alguns abismos que recentemente estivemos.

Enjoy!

Este aqui é de um abisminho (ainda sem nome) que descemos em 2006, acho. Eu havia passado por ele há uns 6 ou 7 anos e coincidentemente o Marcos e o Dennys também. Pois após N vezes que combinamos de voltar para descer e mapear acabamos conseguindo fazê-lo somente em 2006. Como de costume descemos equipando e explorando e subimos mapeando posi estávamos somente em 3 pessoas (Eu a Re e o Marcos... o Dennys furou).

Nesta mesma viagem, acabamos encontrando mais um abismo, bem pertinho deste. Trata-se de uma fenda, longa e bem promissora. Até acho que era esse que eu tinha vindo na ocasião dos tempos remotos e não o anterior.
Descemos equipando e subimos mapeando. Apesar de promissor, o abismo fechou com apenas cerca de 65m de profundidade. Nenhum vestígio de presença humana. Nem pegadas, nem spits batidos...


Ambos estes 2 abismos ficam bem próximos à estrada do lageado, menos de 1km após o trevo com a estrada Bairro de Serra-Apiaí.
Caverna de Pascoa:

A caverna de Pascoa foi uma boa dica do Ditinho, guia e amigo do PETAR. Ao saber que estávamos trabalhando na área da Passoca o Dito nos contou que havia descido um abismo, no fim da caverna, e encontrado uma pequena passagem. Tão pequena, que devido à sua "falta de forma" não conseguiu passar deixando a suposta continuação da caverna para um espelelogo mais "magrelo".
Marcamos uma viagem para mapear a caverna e tentar encontrar a tal passagem pequena.


Logo na primeira investida topografamos boa parte da gruta. Na segunda investida, esta com 2 equipes descemos o abismo e topografamos boa parte das galerias inferiores. Em uma terceira viagem eu e a Renata, em 2 dias de atividades, averiguamos todas as possíveis continuações intermediárias (entre o stor superior e o fundo do abismo) em um complexo vertical cheio de passagens e condutos apertados.


Em mais uma viagem, agora em um feriadão prolongado, conseguimos unir uma excelente equipe vertical e vencemos o extremo Norte da caverna e em uma série de escaladas (cerca de 40m escalados). Foi desta vez, através de uma fenda e abaixo de uma boa chuva que, eu e o Renato encontramos um grande salão e... outra boca! Mapeamos tudo neste feriado mesmo. Para maiores detalhes busque neste Blog mesmo os relatos da Pascoa.

Segue o mapa finalizado desta bela travessia.


Outros mapas da região estão espalhados pelo Blog ou em outras postagens ou junto aos relatos de trabalhos.

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