“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Grotte Baudin - França


Cidade: Montrond le Château / Besançon;
Departamento: Doubs;

Saída de final de semana junto ao Speleoclub de Paris.
12 e 13 de Junho de 2005;

Estaciona-se o carro na beira da estrada, próximo a uma casa e segue-se por uma trilha a esquerda da casa por entre uma floresta. Em poucos minutos chega-se a um canyon da calcáreo que dá acesso a entrada da caverna. Pode-se dizer que a caverna é a continuidade subterrânea do canyon. Logo na entrada, alguns lances de vertical levam a um salão. Mais algumas descidas em corda e chegamos ao mais amplo conduto da caverna. Um modesto conduto de aproximadamente 4 metros de diâmetro e 15m de comprimento, teto inclinado e solo argiloso, de afundar a bota inteira na lama. É no fim desse conduto que saem 2 fendas. Uma fóssil à leste e outra, ativa à norte por onde se prossegue a caverna. A partir deste ponto começa uma “penante” atividade de “escalada horizontal”. Em uma mistura de quebra-corpo com fenda a caverna prossegue por um interminável conduto. Diversas possibilidades de caminhos se abrem. Pode-se escolher, de acordo com o gosto individual entre seguir um caminho por uma parte mais alta da fenda ou por uma parte mais baixa. As vezes andávamos 2 ou até 3 pessoas em mesma direção sendo que cada um em uma altura diferente da fenda. Ainda não conheci no Brasil algum conduto semelhante. Em alguns pontos essa fenda se alarga e encontramos alguns travertinos e pequenos lagos mas na grande maioria são caminhos altos e estreitos. Em um ponto mais distante um grande labirinto possibilita o acesso ao mesmo ponto por pequenos condutos diferentes e neste ponto fica muito fácil perder o censo de direção e se perder. Não se trata de blocos desmoronados ou terreno instável mas de condutos reais formados, a princípio, pela água. Na volta fiquei em último na equipe e junto com o Olivier tomamos um conduto abaixo ao caminho seguido pelos outros integrantes. Por alguma “passagem-mágica” não aparente na topografia acessamos uma área bastante avante ao resto do grupo e tivemos que ficar esperando que eles chegassem. Um pouco cansados e cerca de 6 horas mais tarde chegávamos ao primeiro lance da subida, para sairmos da caverna. Mais uma vez fiquei por último assumindo a responsabilidade iria repetir no resto das cavernas daquele final de semana: a desequipagem... Na saída da caverna o Olivier e o Florent me esperavam (graças a deus!) para me dar uma mão com a última desequipagem e com as mochilas pesadas.
Ao chegar no local onde o carro estava estacionado e ainda de cueca na beira da estrada ganhei uma super cerveja gelada.
Depois de virar metade da garrafa exclamei com felicidade “Acho que foi a melhor cerveja francesa que já bebi desde que cheguei”. De bate-pronto todos responderam: “Mas essa cerveja é belga !”.

Nenhum comentário: