“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Prospecção no encontro do Rio Pilões e Ribeirãozinho/Buenos

Primeira cahchoeira do Rio Pilões

O Zé e sua família continuam nos tratando bem, então a gente volta! Dia 7 e 8 de janeiro, Cezinha, Zé, Iscoti e Eu (Marcos) voltamos à Bulhas D’água para prospectar a região e estrear o novo trator verde do Zé, mais rápido e garboso que o simpático vermelhinho.

Novo trator do Zé

Duas grandes manchas nas renovadas imagens do Google Earth fizeram nossa imaginação ir longe e então partimos em direção ao que seria uma grande caverna no encontro dos rios Pilões e Ribeirãozinho/Buenos.

Região de bulhas e o percurso da caminhada

Com pesar deixamos para trás a casa dos guardas na sede de Bulhas, agora desabitada e esquecida às ruínas do tempo e seguimos em direção à primeira cachoeira do Rio Pilões. A trilha tranquíla ficava mais íngreme na aproximação da Gruta da Lontra. Uma parada para fotos e indagações sobre possíveis conexões e continuamos a caminhada pelo leito do rio.

Rio Pilões

Gruta da Lontra
Escorregando pela encosta para evitar a grande cachoeira, alcançamos a sua base. Observamos uma pequena gruta na margem esquerda do rio e as estruturas de uma antiga galeria de caverna, interceptada pela cachoeira. 
Cachoeira no Rio Pilões

Cachoeira no Rio Pilões

Seguimos em direção ao encontro dos rios pelo meio do vale e aproveitamos uma parada para olhar um grande paredão na margem esquerda, onde o Pilões faz a curva. Checando apenas a base do primeiro patamar encontramos algumas pequenas cavidades e um rio encachoeirado que poderia ser o Córrego Feital ressurgindo, necessita ser checado.

Paredão na margem esquerda do Rio Pilões

Encontro dos rios Pilões e Ribeirãozinho/Buenos

Encontro dos rios Pilões e Ribeirãozinho/Buenos

Apesar dos urros da chuva decidimos seguir pelo vale da Ribeirãozinho a voltar pela trilha da ida. Enquanto tropeçávamos nos blocos do rio observávamos os paredões virgens que atiçam nossa curiosidade. Estará lá a grande caverna? 

Ribeirãozinho/Buenos

Por enquanto encontramos apenas uma pequena cavidade às margens do Rio, Gruta da Primeirinha, uma galeria de 10m com muitos morcegos, um pequeno curso d’água e interrompida por blocos. Um grande abrigo com pequenos patamares na margem direita do Ribeirãozinho, cenicamente linda, mas sem continuação, nos animou por alguns instantes. 

Abrigo na margem direita do Vale da Ribeirãozinho

Seguimos subindo o rio e procurando a ressurgência do Rio Buenos, que deve sair da Gruta Buenos IV em algum ponto do vale. Suspeitamos de um amontoado de blocos logo antes do rio ressurgir no leito, neste ponto o rio corre totalmente por baixo dos blocos deixando o leito seco, ou mais acima na junção com o Ribeirãozinho, o que é mais provável. Nada de conclusivo.

Blocos no leito do Ribeirãozinho e preocupação com a chuva

A chuva só fez medo mas não alterou o volume d’agua e logo chegamos na trilha da Ribeirãozinho III, completando a travessia do vale. Uma parada para recarregar energia e seguimos firmes para o alto e avante, chegando ainda com luz na estrada.

Ribeirãozinho
Após passar frio na carreta do trator, fomos recebidos com milho assado e uma bela janta preparada no forno à lenha. Então a gente volta...


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