“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

terça-feira, 25 de março de 2008

Feriado 12 de outubro de 2007 - Passoca, topografia após o sifão

por Daniel Menin

Como não poderia ser mais adequado, neste feriado de dia das crianças de 2007 resolvemos nos dar de presente mais uma viagem ao PETAR. O GPME foi dividido em 2 turmas com atividades e locais diferentes. A primeira turma rumou para o parque de Intervales, acompanhando um casal de espeleólogos ingleses que passavam por uma temporada no Brasil. A segunda ficou sediada no Bairro da Serra (Casa da Cris). Esta turma estava formada por: Daniel, Renata, Gelson, Cae, Daisy Bedu e Cristina Albuquerque e teve como focos de trabalho o projeto Passoca e Arredores e o núcleo Santana (Santana e prospecção).
Na Sexta -Feira, dia 12, uma equipe formada por mim (Daniel), Renata, Caê e Bedu foi para a caverna da Passoca averiguar o sifão (mais uma vez!). Eu, a Renata e o Caê estávamos preparados para descer e topografar a caverna caso passássemos o sifão. O Bedu estava apenas como apoio moral para nossa descida. Caso o sifão estivesse mais uma vez cheio então o objetivo era bater mato e ele viria junto.




Desci primeiro o abismo seguido pelo Cae enquanto que a Renata e o Bedu aguardavam na base da maior descida. Uma vez lá embaixo corremos até o sifão para averiguar se o mesmo possibilitava a passagem. Chegando próximo ao sifão já era possível ter uma idéia de como estava a situação: “Está com água mais uma vez! Droga!” (não exatamente nestas palavras). Chegando um pouco mais próximo: “Pensando bem tem pouca água!”. Averiguando mais de perto ainda... “Beleza! Acho que dá para passar!”. Entrando efetivamente na lama: “Dá para passar!!!”. Enfim, na quarta tentativa (acho) e exatamente um ano depois de termos passado o sifão pela primeira vez ele estava baixo o suficiente para passarmos novamente e topografarmos a continuação! Vale lembrar que o Michel Le Bret já havia passado este sifão há algumas década atrás. Na ocasião ele também mapeou esta parte da caverna porém, sem muitos detalhes. Anos depois o GEGEO retopografou esta caverna, mas não ultrapassou o sifão ficando o mapa faltando esta continuação. O Caê voltou correndo até o grande salão para avisar a Renata que iríamos passar o sifão e continuar a topografia da caverna. A Renata desceu trazendo o resto dos equipamentos enquanto que o Bedu voltou à casa do Sr Agenor para uma longa seção de RP. O apoio na base da descida não seria mais necessário e esperar por ali por um período relativamente longo seria ruim... Passamos o sifão topografando e logo acessamos um grande conduto de continuação. O mergulho do calcário forma um teto inclinado. À esquerda, um teto bem alto com outros condutos e algumas continuações. À direita outros condutos continuam porém através de bastante teto-baixo. O solo é repleto de seixos em um leito de rio seco. Galhos, troncos e um pedaço de blusa vermelha indicam que a água, ocasionalmente acessa esse conduto reativando o rio. Topografamos o caminho principal e a maioria das laterais. Uma das laterias se revelou em um belo salão fóssil não colocado no mapa do Le Bret. Topografamos a maior parte da caverna pós-sifão em cerca de 340m de condutos na sua maioria de teto-baixo. Com exceção do grande conduto do início esta parte da caverna é formada por largos condutos inclinados e estreitos dificultando o acesso à todas as laterais e transformando a topografia em um trabalho de ralação e bem cansativo. Horas depois o cansaço bateu e resolvemos voltar (ainda teria que repassar o sifão e subir o abismo!).



Deixamos algumas passagens em aberto, entre elas um conduto superior, um quebra-corpo, uma lateral de teto-baixo e uma promissora fenda. Esta última é bastante longa mas muito apertada. Em uma próxima viagem podemos averigua novamente a passagem do sifão para continuar os trabalhos ou deixar a empreitada para o dia das crianças de 2008. De qualquer forma já temos material suficiente para produzir o mapa e até publicá-lo se for o caso. Vale lembrar que temos já algumas centenas de metros a mais que os mapas anteriores além da descoberta de alguns condutos que estavam fechados nos outros mapas.





Acima vemos a área topografada nesta viagem e abaixo o mapa na sua última versão. Já estamos com várias áreas não topografadas ou exploradas por Michel Le Bret e também com bastante precisão e riquesa de detalhes.
Depois vou postar um histórico desta caverna com as expedições e mapeamentos realizados em décadas atrás.













No Sábado a equipe foi dividida. Enquanto que eu e a Renata fomo verificar umas pendências na Santana, o Caê, a Daisy, o Bedu, a Cris e o Gelson foram prospectar uma caverna que o Caê conhecia (a cerca de 10 anos atrás...) mas não encontraram a dita-cuja.
No Domingo uma parte da equipe voltou para SP enquanto que a outra foi bater mato na região da Passoca (Daniel , Renata, Cris e Gelson). O objetivo era chegar até uma área onde possívelmente estaríamos sobre o segundo rio da caverna. Encontramos, através de uma pequena passagem, um belo abismo mas, após descer cerca de 15m o mesmo não apresentou possibilidades de continuação. Tivemos que voltar logo devido ao tempo curto. Em próximas viagens deveremos procurar outros buracos na região.

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