“E impelido pela minha ávida vontade, imaginando poder contemplar a grande abundância de formas várias e estranhas criadas pela artificiosa natureza, enredado pelos sombrios rochedos cheguei à entrada de uma grande caverna, diante da qual permaneci tão estupefato quanto ignorante dessas coisas. Com as costas curvadas em arco, a mão cansada e firme sobre o joelho, procurei, com a mão direita, fazer sombra aos olhos comprimidos, curvando-me cá e lá, para ver se conseguia discernir alguma coisa lá dentro, o que me era impedido pela grande escuridão ali reinante. Assim permanecendo, subitamente brotaram em mim duas coisas: medo e desejo; medo da ameaçadora e escura caverna, desejo de poder contemplar lá dentro algo que fosse miraculoso"

Leonardo Da Vinci

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Manejo de caverna em Eneabba, Western Australia

Retornamos à Eneabba no dia 18 de junho de 2016, para uma visita de um dia à uma gruta para analisar seu manejo.

Com três membros do Western Australia Speleological Group (WASG) e um Ranger do Departamento de Parks and Wild Life. O objetivo foi o de analisar o caminhamento interno, áreas vulneráveis à visitação e medir a entrada para a colocação de um portão para sua conservação. Em cavernas com conjunto de espeleotemas vulneráveis, fósseis etc, o fechamento como precaução contra a depredação é considerado uma alternativa.

É interessante notar a preocupação dos espeleólogos da Austrália com a conservação das cavernas desde a primeira exploração e posteriormente com os trabalhos subsequentes. No início são definidos um caminhamento e as áreas a serem evitadas (vulneráveis ou de risco para o visitante). Todas as saídas são limitadas a 6 ou 4 integrantes, quando a caverna é mais vulnerável ou há passagens mais demoradas como cordas ou muitos quebra-corpos e todos respeitam as regras.   

Esta caverna foi descoberta há poucos anos durante uma prospecção que identificou um soprador entre blocos e teve a entrada de cerca de 50x50 cm desobstruída. Após um abismo de cerca de 10m dá acesso à caverna que se desenvolve por aproximadamente 800 m. Com salões amplos e trechos com desníveis de cerca de 15m na porção central e uma sequência de tetos-baixos em rocha muito friável até um desmoronamento intransponível no trecho final.

A caverna se destaca das demais conhecidas na região pelos conjuntos de espeleotemas e por estar praticamente em estado natural, com visita de pouco mais de 20 espeleólogos até então, segundo o pessoal do WASG. Canudos de mais de 4 m, estalactites e estalagmites com coloração bege / amarelada, represa de travertino com cristais e pequenos lagos com jangadas compõe a decoração da caverna.

Esta caverna abre uma animadora possibilidade de existência de outras na região, porém a prospecção é difícil devido a vegetação fechada e cheia de espinhos (bush) e a inexistência de feições superficiais que denunciem as entradas. O pessoal aqui costuma aproveitar as queimadas, naturais nesta vegetação, para procurar cavernas.































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